A polêmica envolvendo o cantor e sanfoneiro Flávio José, 74 anos, e o Ministério Público da Bahia (MP-BA) chegou a um desfecho definitivo. Após dias de impasse e negociações, o artista oficializou, nesta terça-feira (9), a ausência de sua agenda de São João no estado da Bahia em 2026. A confirmação ocorreu após a divulgação de sua agenda oficial de apresentações para o período junino.
Nesta terça-feira, o Ibahia apurou que não houve acordo. Flávio José não aceitou as propostas apresentadas, inclusive pelo próprio representante dele. Na última segunda-feira (8), representantes do cantor e integrantes do MP-BA realizaram uma reunião na tentativa de chegar a um consenso, mas o encontro terminou sem acordo, mantendo o impasse sobre os valores dos cachês.
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Com a divulgação da agenda oficial no início desta tarde, ficou ratificado que nenhuma cidade da Bahia figura entre os destinos do cantor para a maratona junina deste ano. O cronograma, que contempla apresentações em diversos estados do Nordeste, como Paraíba, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas, exclui totalmente o território baiano.
Histórico do impasse
O conflito teve início na última quarta-feira (3), quando Flávio José tornou público um desabafo em suas redes sociais, ameaçando cancelar suas apresentações no estado. O motivo central era a discordância em relação a uma recomendação do MP-BA, que orientava os municípios a adequarem os contratos de atrações artísticas a parâmetros baseados na média de valores pagos em 2025, corrigidos pelo IPCA.
Em publicação do perfil no Instagram "São João em Bonfim", que divulgou o teto de cachês de artistas para a festa junina na cidade baiana em R$ 700 mil, Flávio José fez um desabafo a respeito da diminuição do cachê e chegou a citar o cancelamento dos shows no estado.
"E este ano a Bahia ficará sem minha presença, às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê ! Enquanto outros artistas que nada têm a ver com forró ganham rios de dinheiro. É de um desrespeito sem tamanho. Por esse motivo, não irei à Bahia este ano. Lamentável, deixei de vender minhas datas para estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda a minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o estado me devolve", escreveu o perfil do cantor.
Questionado pela página sobre a decisão também afetar a apresentação da cidade de Senhor do Bonfim, Flávio José confirmou que afetaria 15 cidades na Bahia que haviam contratado a apresentação dele para as festas juninas. A equipe do sanfoneiro informou que iria se reunir com o MP para a decisão final de manter ou não o cachê do artista.
De acordo com apuração exclusiva do Ibahia, a recomendação do órgão ministerial previa, para o caso do sanfoneiro, uma redução de cerca de R$ 45 mil em relação ao cachê atual de R$ 350 mil. A equipe do artista, contudo, não aceitou o ajuste, defendendo a manutenção do valor integral.
Em nota divulgada anteriormente, o Ministério Público ressaltou que as recomendações buscam evitar aumentos excessivos de cachês custeados com recursos públicos, observando que a média de contratos para festejos juninos no estado saltou de aproximadamente R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil nas últimas quatro edições. O órgão reforçou que tem firmado acordos com diversos artistas que buscaram voluntariamente o diálogo, visando a economia aos cofres públicos, e que seguia aberto a negociar com a equipe de Flávio José.
Assista ao 'De Hoje a Oito', podcast de entretenimento do Ibahia:
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