A decisão do Cine Glauber Rocha, localizado na Praça Castro Alves, em Salvador (BA), de restringir o acesso ao seu terraço panorâmico apenas a clientes portadores de ingressos, gerou um intenso debate sobre a preservação de espaços culturais no Centro Histórico. A polêmica ganhou força após uma publicação do influenciador Marcelo Filho, o "Ruivo Baiano", que associou a medida a um processo de gentrificação.

Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (12), a administração do cinema detalhou que o espaço "foi reformado com capital privado e se mantém por esforços próprios". Um dos pontos centrais do esclarecimento é que o cinema não conta com financiamento do Estado ou do Município para suas operações diárias, sustentando-se exclusivamente com a receita da bilheteria, do café e da livraria.
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A gestão revelou que a medida foi tomada após meses enfrentando danos severos. "Infelizmente, nos últimos meses o cinema enfrentou situações de comportamento inadequado e depredação do prédio. Além de pias quebradas, lâmpadas furtadas, o que mais doeu foi ver os desenhos de Glauber constantemente danificados", destacou a nota, que veio acompanhada de imagens do espaço vandalizado.







Segundo a administração, o alto custo de manutenção - um projetor profissional, por exemplo, custa mais de R$ 350 mil - torna o zelo pelo patrimônio ainda mais crítico. "Operamos com acesso controlado há pouco tempo e os resultados são positivos: as depredações cessaram e o ambiente voltou a ser tranquilo e acolhedor", afirmou o cinema, que funciona no local desde 1919.
Mesmo como ente privado, a gestão destacou sua contrapartida social. Por meio de uma parceria com o Estado, o aluguel é revertido no acesso de 2 mil estudantes da rede pública por mês. "A ação garante o acesso às salas e a devida formação de público", pontuou o comunicado.
A administração do Cine Glauber Rocha finalizou a nota reforçando seu compromisso com a cultura: "Somos um dos cinemas que mais exibe filmes brasileiros no país, com mais de 135 títulos em 2026, sempre com excelência técnica".
Repercussão e apoio de Kleber Mendonça Filho

A nota gerou uma onda de comentários de figuras do setor cultural. O cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor de "O Agente Secreto", prestou solidariedade à gestão: "Grande abraço em todos vocês. Com esse tipo de trabalho em todo o Brasil, teremos um futuro com brasileiros e brasileiras com maior educação e consciência de viver coletivamente. Mas é uma construção".

Na publicação, internautas também manifestaram apoio à decisão como forma de proteger o patrimônio. "Todo apoio ao Glauber Rocha, esse importante aparelho cultural de Salvador que consegue, apesar de parte do seu 'público', se manter", escreveu um seguidor. "Precisamos preservar o Glauber Rocha, que tanto impacta positivamente nossa cidade", comentou outra pessoa.
Críticas e sugestões
Por outro lado, parte dos frequentadores manifestou discordância quanto à forma da restrição. "A administração deveria pensar em outras estratégias do que apenas cobrar pagamento", opinou uma internauta, citando preocupações com a gentrificação na região.
Outras sugestões foram apresentadas por frequentadores que acreditam que o pagamento do ingresso não impede o vandalismo. "Acredito que monitoramento de segurança é muito mais eficaz, porque nada garante que quem comprou o ingresso faça o mesmo", sugeriu um usuário. Houve ainda um alerta sobre a acessibilidade dos sanitários, ao que outros internautas responderam informando que o cinema já dispõe de banheiros adequados para pessoas com deficiência.

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