Arnaldo Lira explica sucesso: "a estrela aqui é o time"


Arnaldo Lira admite sondagens de Bahia e Vitória

Com sete vitórias em oito jogos, o Bahia de Feira é líder absoluto do Baianão 2012. Mas não há surpresa. Afinal, o Tremendão conquistou o título estadual do ano passado e, neste ano, está cada vez mais forte na busca do bi. Um dos responsáveis pelo renascimento do time feirense é o técnico Arnaldo Lira, que por telefone, bateu um longo papo com o iBahia Esportes nesta terça-feira (14) à tarde.Entre outras coisas, o treinador contou por que o Bahia de Feira tem obtido sucesso nos últimos meses com sua filosofia de trabalho, elogiou o trabalho de Jodilton Souza e seu filho Thiago, dirigentes e donos do clube, e aproveitou para alfinetar a dupla BaVi: “eles não conseguem definir o time”. Arnaldo Lira também subiu no pedestal: “só saio do Bahia de Feira para treinar time grande. Esses times pequenos não têm condições de pagar meu salário”. A julgar pelos seus feitos, ele tem toda razão.E o sucesso do Bahia de Feira continua…
Pois é. Escolhemos bem os jogadores, com qualidade. Um pouco da estrutura do clube, que tem o pagamento em dia. E trabalho mesmo, montar equipe. Comissão técnica também é boa. Não tem segredo não. O negócio é o trabalho. Trabalhamos muito aqui. Assim, a coisa flui.

Esse ano o time encaixou cedo. Alguma coisa foi feita em especial?
Nunca deixei de encaixar time meu, não! Cada um tem seu jeito de trabalhar, mas meus times estão sempre encaixando. Montamos o time um mês antes do Campeonato Baiano. Mas temos bons jogadores. Paulo Paraíba e Menezes, por exemplo, já tinham sido meus jogadores no Ferroviário. É uma dupla jovem, mas experiente.

E João Neto? Ele está voando, né?
João Neto só está mostrando que deveria ser melhor aproveitado no Bahia. Para ter um jogador que jogue pelos lados com a velocidade dele, que cabeceia bem e tudo…Ele deveria ter tido mais oportunidade. Mas temos outros jogadores. Raylan, Carlos…

Cadê Maurício e Jackson?
Maurício vem muito tempo sem jogar no Bahia, sem treinar também. Ele é um bom jogador, mas está fora do ritmo nosso. E ele veio para jogar logo numa posição em que temos talvez o melhor do campeonato, que é Raylan. Ele está muito bem no nosso time. Jackson está parado há muito tempo. Agora que está melhorando. Aqui, colocamos para jogar quem está em melhor condição. A estrela aqui é o time.

O time desse ano é melhor do que o do ano passado?
Olha, o time desse ano tem mais opções, mas ano passado fomos campeões, né? Mas é isso mesmo. A nossa equipe hoje tem mais possibilidades no elenco.

Qual a principal virtude do Bahia de Feira hoje?
A filosofia do Bahia de Feira é de dar oportunidade a jovens. A tendência é sempre ter mais. O clube está se consolidando na Bahia. Depois vamos tentar subir para Série C. A gente está sempre procurando melhorar. Temos muito jovens, ainda sem experiência, mostrando a eles que que podem evoluir sempre.

Você ainda pretende contratar para o estadual?
A gente precisa talvez de um zagueiro. Temos apenas três no elenco. Mas só se pintar um bom. Não vamos contratar qualquer um.

Seria então um jogador mais experiente, certo?
Olha, temos que ter cuidado. Muita experiência não dá certo. Esses jogadores reclamam demais. Quando não jogam, reclamam. Experiência é bom quando o jogador ajuda o clube, mesmo no banco. Se começa a reclamar, eu tiro logo do time e acabou.

Copa do Brasil está vindo aí. O Bahia de Feira terá fôlego?
Não estou preocupado com isso, não. Copa do Brasil você não pode prever muita coisa. Você mostra o que você tem e pronto. Não dá para fazer muita coisa antes, não conhecemos bem os adversários. Nosso time está preparado, vamos para cima.

Alguma proposta pode tirá-lo do Bahia de Feira ou você só pensa no bi?
Já recebi proposta para treinar um time do Paulistão esse ano, mas recusei. Eu falei para o cara que não sairia. Veja bem, só saio do Bahia de Feira para treinar time grande. Esses times pequenos não têm condições de pagar meu salário. Aqui eu tenho participação e estou satisfeito. Não vou sair para jogar um, dois jogos, enfrentar um time grande e depois ser demitido.

Bahia e Vitória já te procuraram?
Rapaz, perguntaram por mim, mas foi apenas sondagem. Ouço sempre um papo aqui, outro ali, mas nada de certo chegou para mim até hoje. Mas não tenho pressa, uma hora vai aparecer uma oportunidade. Hoje eu tenho um cargo cobiçado. Jodilton (Souza, presidente do Conselho Deliberativo do Bahia de Feira) não quer que eu saia de jeito nenhum.

A relação com os dirigentes é a melhor possível?
A melhor possível. Somos sócios, amigos. Eu frequento a casa deles. Vou para praia quando Jodilton vai. Thiago Souza (presidente do Tremendão) é como um irmão para mim. A relação é ótima.

E para Raylan? Já houve sondagens?
Raylan já recebeu até propostas. Do Bahia e do Vitória, recebeu sondagens. Como Jodilton não precisa, não venderemos ninguém antes do Baianão. O bom do nosso elenco é que temos de seis a sete jogadores negociáveis. Carlos, o volante, que é nosso. Paulo Paraíba, o próprio Raylan… Eles têm muito valor. O problema de Bahia e Vitória é que eles insistem em trazer jogador de fora, porque eles acham que jogador de fora consegue ganhar. Os daqui, não. A culpa é dos técnicos que chegam de fora e trazem toda essa galera.

O que aconteceu no jogo contra o Vitória?
Ali, erramos em ter saído muito em cima da hora de Feira de Santana. Saímos 13h e o jogo era às 17h. Não deu certo. Nossos jogadores ficaram com um certo sono. Houve a arbitragem daquele cidadão também, que nos prejudicou. Tomamos um gol besta, houve o pênalti. Aí, ficou difícil. Mas acho que a gente consegue manter o ritmo até o fim.

O que você está achando das campanhas de Bahia e Vitória?
É difícil falar. Na minha opinião, eles não conseguem definir o time. Um dia joga um time, outro dia jogo outro. Eles não conseguem resolver isso.

E o que falar de Toninho Cerezo e Falcão?
Acho bom Cerezo e Falcão. Foram grandes jogadores e são grandes técnicos. Vamos trazer o Zico para o Bahia de Feira para completar o trio.