Bom Senso FC manda recado para a CBF: "estão brincando com fogo"


Um dos líderes do movimento Bom Senso FC, que pede mudanças no futebol brasileiro e já conta com a  adesão de mais de mil jogadores, o zagueiro Paulo André, do Corinthians, falou sobre a relação do grupo com a CBF. Em entrevista à BBC Brasil, o jogador admitiu que uma greve entre os atletas para paralisar o campeonato nacional pode acontecer.

“Eles estão brincando com o fogo, e os atletas estão chegando no limite de sua paciência. Não sei se a greve é para agora, mas se continuar desse jeito, ela vai acontecer”, disse Paulo André, que revelou ainda que a comunicação entre o grupo e a CBF tem sido apenas por meio de notas oficiais. O defensor afirmou que os atuais dirigentes da entidade não estão preparados para ocupar os cargos que exercem no momento.
“Nós não tivemos mais reuniões, nossa comunicação com eles agora tem sido por meio de notas oficiais. Nesta semana as coisas esquentaram um pouco mais, a gente vê as declarações dos dirigentes, primeiro não reconhecendo a legitimidade do Bom Senso e num segundo momento dizendo que é impossível mudar isso, mudar aquilo, que não adianta só olhar pela visão dos atletas…ou seja, eles não têm a menor ideia do que nós estamos falando, realmente não estão preparados para estarem no cargo em que eles estão. E nós mais uma vez – com os protestos aumentando a cada rodada – estamos tentando encontrar um senso comum que possa atender as nossas demandas, ou que possa pelo menos argumentar contra elas de forma eficiente, que nos convença para que a gente fique quieto e vá trabalhar”, disse o zagueiro. 
Questionado se uma greve em pleno ano de Copa do Mundo teria grande impacto no futebol brasileiro, Paulo André afirmou que a ação seria o menor dos problemas e criticou os cartolas, que pensaram apenas em realizar o mundial de 2014 no país. “Grande é o despreparo dos nossos políticos do futebol, que não previram que em 2014 teria a Copa do Mundo e não adaptaram o calendário. Grande é o despreparo deles para organizar a Copa do Mundo. A greve é o menor dos problemas deles e reflete essa incapacidade de gerir o futebol brasileiro”, explicou Paulo André. 

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