A Copa do Nordeste de 2026 coloca frente a frente dois tradicionais “Leões” do futebol nordestino. O Vitória, treinado por Jair Ventura, encara o Fortaleza, comandado por Thiago Carpini, ex-técnico rubro-negro. A decisão acontece em dois jogos: o de ida será no dia 2 de junho, na Arena Castelão, enquanto a partida de volta acontece no dia 6 de junho, no Barradão.
Diante de um possível título, um debate é revisitado: o Vitória pode conquistar o penta ou hexa da Copa do Nordeste? A indefinição surge diante do campeonato de 1976, considerado pelo Vitória um título da Copa do Nordeste, mas não reconhecido pela CBF, entidade máxima do futebol brasileiro.
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O presidente do Vitória, Fábio Mota, afirmou que o clube considera a possível conquista como o sexto título nordestino da história, citando o processo de reconhecimento do Torneio José Américo de Almeida Filho, de 1976, junto à CBF. “Esperamos muito ganhar esse hexa. Para a gente é hexa. O processo do penta está tramitando na CBF, qualquer hora sai. Vamos ser hexa igual ao Brasil”, afirmou o dirigente.
O reconhecimento de competições antigas segue sendo motivo de debate e envolve diversos clubes tradicionais da região. Atualmente, a CBF contabiliza oficialmente os títulos conquistados pelo Vitória em 1997, 1999, 2003 e 2010.
RELEMBRE OS TÍTULOS:
1976*
O ano marcou o primeiro título nordestino do Vitória. Ao derrotar o América-RN na decisão do Torneio José Américo de Almeida Filho, competição realizada no Nordeste brasileiro, que reuniu, predominantemente, campeões e vice-campeões estaduais da região, o Rubro-Negro conquistou sua primeira taça regional.
Na final, o Leão venceu por 3 a 0, com dois gols de Geraldão e um de Zé Júlio. O Vitória considera a conquista equivalente a uma edição da Copa do Nordeste e aguarda o reconhecimento oficial da CBF para validar o que seria o quinto título regional da equipe.
Cinco décadas depois, o clube segue em busca da aprovação da CBF. O torneio de 1976 não é contabilizado oficialmente como Copa do Nordeste porque o formato atual da competição só foi criado em 1994. Apesar disso, o Vitória trata a conquista como parte de sua galeria de títulos regionais.
1997
A segunda edição da Copa do Nordeste aconteceu três anos após a estreia do torneio. Em 1997, a competição foi disputada em sistema mata-mata desde as oitavas de final. O Vitória conquistou o título ao superar o rival Bahia na decisão. O jogo de ida, na Fonte Nova, terminou com vitória do Vitória por 3 a 0. Na volta, no Barradão, o rubro-negro perdeu por 2 a 1, mas ficou com o título no placar agregado (4 a 2).
Em oito partidas pelo torneio regional, o Leão somou seis vitórias, um empate e apenas uma derrota. A equipe terminou com o melhor ataque da competição, com 20 gols marcados e 12 sofridos.
Além da conquista da Copa do Nordeste, o Rubro-Negro também garantiu o tricampeonato estadual em 1997, novamente diante do rival Bahia na decisão.
1999
Na comemoração do seu centenário, o Vitória sagrou-se novamente campeão da Copa do Nordeste. A terceira edição da competição teve uma mudança no regulamento: a fase eliminatória passou a ser disputada inteiramente em sistema mata-mata, reduzindo o número de jogos e aumentando a competitividade do torneio.
Dentro de campo, o Vitória tinha um dos elencos mais fortes de sua história, com nomes como Petkovic, Matuzalém, Fábio Costa e Preto Casagrande.
Na decisão, o Rubro-Negro voltou a enfrentar o rival Bahia. No primeiro jogo, venceu por 2 a 0 no Barradão. Na volta, na Fonte Nova, o Tricolor venceu por 1 a 0, mas o resultado garantiu o bicampeonato nordestino ao Vitória.
Ao longo da campanha, o Leão disputou 12 partidas, com seis vitórias, dois empates e quatro derrotas. A equipe marcou 16 gols e sofreu 12.
A conquista regional antecedeu a histórica campanha rubro-negra no Campeonato Brasileiro daquele ano, quando o clube terminou na terceira colocação da Série A.
2003
Sem espaço no calendário oficial da CBF, a Copa do Nordeste de 2003 foi disputada de forma mais enxuta, com apenas 12 clubes, jogos em sistema mata-mata, e partidas realizadas durante a semana.
Naquele cenário conturbado, o Vitória conquistou de forma heroica o que era, até então, o terceiro título nordestino. O clube chegou ao torneio apostando em uma equipe formada, majoritariamente, por jovens revelados na base rubro-negra, sob o comando do técnico Joel Santana. Enquanto o elenco principal disputava o Campeonato Baiano, a nova geração ganhava espaço no regional.
Depois de empatar em 1 a 1 no jogo de ida, no Estádio Jóia da Princesa, em Feira de Santana, o Vitória segurou o 0 a 0 diante do Fluminense de Feira no Barradão e confirmou a conquista do Campeonato do Nordeste de 2003 diante da torcida rubro-negra.
Ao longo da campanha, o Leão disputou cinco partidas, com três vitórias, dois empates e nenhuma derrota. A equipe marcou nove gols e sofreu três.
Além da taça, o Vitória teve o artilheiro da competição: Nadson, com cinco gols marcados.
2010
O ano marcou o retorno da Copa do Nordeste após sete anos de paralisação. Sem espaço no calendário nacional, a competição havia sido interrompida em 2004, mas voltou a ser disputada aproveitando a pausa para a Copa do Mundo.
O Vitória iniciou a campanha de forma irregular, com derrota para o CRB fora de casa e empate diante do ABC em Salvador. Vale lembrar que o time baiano escolheu colocar um elenco de aspirantes na Copa do Nordeste, pois dividia a atenção com a participação na Série A do Brasileirão e com a campanha histórica na Copa do Brasil daquele ano, quando foi vice-campeão nacional.
A reação na Copa do Nordeste veio na terceira rodada, quando o Leão goleou o rival Bahia, por 5 a 1, em Pituaçu. A partir daí, o Rubro-Negro alavancou a caminhada rumo ao título do Nordeste.Na decisão, o adversário foi o ABC, que teve o direito de mandar a final no Frasqueirão, em Natal.
Mesmo pressionado fora de casa, o time de aspirantes do Vitória mostrou personalidade. Após sair atrás no placar, o Leão conseguiu a virada no segundo tempo e venceu por 2 a 1, conquistando oficialmente o tetracampeonato nordestino.
Ao longo da campanha, o Rubro-Negro disputou 16 partidas, com nove vitórias, quatro empates e três derrotas. A equipe marcou 26 gols e sofreu 18.
O título regional carimbou uma temporada de altos e baixos para o Vitória. Quatro dias após a conquista, a equipe principal encerrou o Campeonato Brasileiro na 17ª colocação e acabou rebaixada à Série B, além de conquistar o vice-campeonato da Copa do Brasil.
2026
16 anos depois, o Vitória volta à final da Copa do Nordeste em busca de mais uma taça regional. A vaga na decisão veio após vencer o ABC-RN nos dois jogos da semifinal por 6 a 2 e 4 a 3, no Barradão e na Arena das Dunas, respectivamente.
Vivendo boa fase na temporada, o Rubro-Negro reencontra Thiago Carpini, ex-técnico do clube, que deixou o Barradão após a eliminação nas quartas de final da Copa do Nordeste de 2025, diante do Confiança-SE.
Além da decisão regional, o Vitória segue vivo na disputa do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, competição em que enfrentará o Athletico-PR nas oitavas de final.
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