A ciência jovem do Brasil acaba de conquistar um espaço de destaque no cenário internacional. O estudante baiano Kenisson Morais Brito foi um dos grandes destaques da Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) 2026, considerada a maior feira de ciências do mundo para estudantes do ensino médio. O evento foi realizado entre os dias 9 e 15 de maio em Phoenix, no Arizona, nos Estados Unidos.

Kenisson, que estuda na Escola SESI Anísio Teixeira, em Vitória da Conquista (BA), conquistou o 4º lugar na categoria Plant Sciences (PLNT) durante a Grand Awards Ceremony. O reconhecimento incluiu um prêmio de US$ 600 pelo projeto AnisGuard: avaliação multifacetada do extrato de Pimpinella anisum como fungicida natural, biofertilizante e alternativa custo-efetiva no controle de Penicillium spp. em café pós-colheita.
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O trabalho propõe o uso de extrato de erva-doce como alternativa natural aos fungicidas sintéticos, com desempenho comparável ou superior em testes laboratoriais. Aplicado diretamente na lavagem dos grãos, o composto atua na estrutura dos fungos, reduzindo drasticamente sua proliferação e a liberação de toxinas.
Em testes práticos, a solução alcançou uma redução de até 83,8% da carga fúngica. Além da alta eficácia, o projeto se destaca pelo fator econômico e ecológico: apresenta um custo potencial inferior aos métodos tradicionais, podendo chegar a valores até quatro vezes menores, e traz um risco significativamente menor de desenvolvimento de resistência por parte dos patógenos. Somado a isso, a pesquisa revela um grande potencial de aplicação prática na cadeia produtiva do café, abrindo caminhos para o reaproveitamento de resíduos como fonte de nutrientes para o próprio solo.
Desempenho da delegação brasileira no exterior
A força da pesquisa jovem nacional foi representada por uma delegação brasileira composta por 26 estudantes de ensino médio e técnico de diferentes regiões do país. Quatorze deles, incluindo o autor do projeto baiano, foram selecionados pela Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE), realizada em março na Universidade de São Paulo. Os demais integrantes foram escolhidos por meio da MOSTRATEC, de Novo Hamburgo (RS).
Na edição de 2026, mais de 1.600 estudantes de cerca de 60 países participaram da ISEF, competindo por aproximadamente US$ 9 milhões em prêmios, bolsas de estudo e estágios, distribuídos entre os Grand Awards, em 22 categorias científicas, e os Special Awards, concedidos por instituições parceiras.
No balanço final, o Brasil encerrou sua participação com a conquista de 8 prêmios no total, todos obtidos por estudantes que foram selecionados através da FEBRACE. Os reconhecimentos vieram nas duas principais frentes da premiação: os Grand Awards e os Special Awards. Celebrando o marco histórico para a ciência jovem do país, a relevância das conquistas foi chancelada pela coordenação do evento nacional:
"Os resultados mostram a qualidade dos projetos brasileiros e a capacidade desses estudantes de competir em um ambiente altamente exigente", afirma Roseli de Deus Lopes.
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