Criador de um estilo único de fazer forró, Zelito Miranda conversava com gerações em suas canções


Foto: Reprodução/ Instagram

A morte do cantor Zelito Miranda, aos 66 anos, na manhã desta sexta-feira (12) pegou os admiradores do forrozeiro de surpresa e entristeceu os amantes do ritmo do qual ele era um dos maiores ícones.

O baiano, natural da cidade de Serrinha a 184km de Salvador, deixa sua marca na história do forró para além de seu vasto repertório, com sucessos como ‘Fulorô’, ‘Forró de Viola’, ‘Ametista’ e ‘Forró Temperado’.

Detentor de um estilo único de cantar forró, o veterano que foi “aluno” de uma escola regida pelo maestro Rosemberg Cardoso, Zelito criou o que se chama de forró temperado, a mistura dos instrumentos tradicionais do ritmo com a percussão baiana, da qual ele foi nomeado Rei.

Em entrevista ao iBahia no meio deste ano, em preparação para o primeiro São João pós período crítico da Covid-19, o cantor falou sobre a mistura de ritmos no gênero e sobre a resistência do forró raiz.

“Eu não gosto do termo “tradicional”, meu forró é temperado, eu gosto da mistura. Mas eu tenho uma coisa, eu mantenho a raiz de triangulo, sanfona e zabumba, porque eu acho que é super importante, é essa a raiz que dá universalidade. É a raiz que abraça gerações e motiva as pessoas”.

Além de criar seu próprio estilo dentro do ritmo, Zelito Miranda revolucionou ao colocar mais de 10 mil pessoas para dançar forró ao ar livre em um evento gratuito, o Forró no Parque.

Idealizado junto com a esposa, Telma Miranda, sua maior parceira de vida, o Forró no Parque, completou em 2022 doze anos de existência.

O projeto, que rodou alguns espaços de Salvador, teve início no Parque da Cidade e edições no Museu de Arte Moderna, até fazer do Largo Pedro Arcanjo, no Pelourinho, o seu último lar. Na época que conversou com o site, o artista comemorou o retorno presencial do projeto.

“O Forró no Parque é um projeto com 13 anos que já teve vários momentos da vida dele. No Parque da Cidade, no Museu do MAM e agora no Pelourinho. Ele também chegou a passar no YouTube, foram três edições com lives bacanas. E agora a gente retomou ele com essa abertura que está rolando”.

Ao longo das edições do evento, Zelito reuniu nomes do forró como Del Feliz, França (ex Mastruz com Leite), Asa França, Flor Serena, Filomena Bagaceira, Estakazero, Adelmário Coelho, Alcymar Monteiro, Targino Gondim, e de outros gêneros da música brasileira, como Bailinho de Quinta, Tonho Materia, e Denny Denan.

Com o tempero especial, Zelito conquistou fãs de diferentes gerações e ao iBahia, o forrozeiro celebrou a diversidade do público em seus shows e o interesse deles no forró raiz, e não tradicional, como ele gostava de frisar.

“Vejo no Forró do Parque uma plateia 50/50. Vejo gente jovem e gente que me acompanhou através de gerações aí. Eu não sou tão velho não (risos). Fico muito feliz quando vejo uma galera jovem vibrando também, porque tem essa coisa da raiz. O rock foi assim, o reggae também. Você pega Edson Gomes e Isac Gomes, e o que o pai fez, o filho está fazendo na mesma praia, então acho que esse é o caminho da raiz”.

A contribuição de Zelito Miranda para a cultura local e nacional, como um grande defensor do forró, está eternizada em suas mais de 200 canções registradas e gravadas. E para os amantes do gênero, fica a tarefa de passar adiante os ensinamentos do Rei do Forró Temperado e fazer com que o artista não deixe de ser referência para quem vem por aí.

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