Daniel Cady sobre criação de abelhas: 'Hoje tenho 100 caixas'


Nem mesmo Daniel Cady ficou de fora das estatísticas da pandemia. Em conversa exclusiva com o iBahia, o influenciador fitness contou que sofreu com insônia, ansiedade e inquietação, sintomas que cresceram cerca de 26% no último ano, segundo dados da revista científica The Lancet. Mas, foi em contato com a natureza que Cady encontrou seu remédio: as abelhas sem ferrão. 

“No início da pandemia, eu estava muito ansioso, com insônia. Eu precisava me conectar com alguma coisa, os pés não estavam no chão. Aí eu comecei a resgatar isso.”, revelou.

O meliponário da família Sangalo-Cady foi muito comentado nos últimos meses, depois que o nutricionista divulgou um vídeo nas redes sociais em que mostra o espaço de criação de abelhas sem ferrão, construído em sua casa, localizada em Praia do Forte.

Segundo Cady, a sua relação com os insetos é antiga. Desde criança conviveu com o avô e o tio, que eram amantes dos animais. “Meu avô, há 50 anos atrás, começou a criar abelhas com ferrão. Ele sempre foi conservacionista, em defesa da natureza, e passou muito disso para a gente”, explicou.

Neste período, Daniel fez uma viagem com o filho mais velho, Marcelo, de 12 anos, até a fazenda do avô. Lá, ele relembrou antigas memórias e começou a mergulhar nos  livros deixados no local. “Quando eu cheguei lá, vi os livros de meu avô, o que ele gostava. Comecei a dar uma lida, a vê com o que ele era conectado e voltei com essa ideia. Já conhecia as abelhas sem ferrão e comecei a pensar em criar isso”, disse ao se referir ao próprio meliponário.

Com estudos e cursos, ele começou a investir em uma caixa de abelhas. A partir daí, não parou mais. “Eu me apaixonei por elas. Comecei a me ocupar e ocupar minha cabeça. E tem tudo haver com a ideia que eu passo, tem tudo haver com a produtividade. As abelhas são responsáveis por ⅓ ou ¼ da produção de alimentos do mundo”, explicou.

Foto: Reprodução | Instagram 

E assim, uma caixa de abelhas se tornou 100 caixas, e o nutricionista já produz o próprio própolis e o próprio mel. A família, sempre envolvida, também participa e apoia a atividade. Marcelinho e as gêmeas, Helena e Marina, de 3 anos, acompanham o pai na colheita dos alimentos. “Eu passo [o conhecimento] de forma prática. A gente colhe o mel na caixa da abelha e eu explico porquê é importante. Eu explico que a abelha não ataca, se defende. E a importância do trabalho das abelhas”, conta. 

O jardim é agora o espaço favorito da família que se aproximou ainda mais durante a pandemia. A vivência da natureza já é parte do dia-a-dia, uma herança de pai para filho. “Foi o que fizeram comigo e eu tento passar isso. Um tempo de qualidade, sem celular. Então, é uma forma de sair da rotina. A gente se aproximou ainda mais, com minha esposa em casa e tal. Nós tivemos um tempo de qualidade, foi um lado positivo e soubemos aproveitar isso. O despertar de uma nova consciência”.

Foto: Aymée Francini | Arquivo Pessoal 

Cady também revelou o seu lado empreendedor. Entusiasta da natureza, o nutricionista agora se concentra em projetos engajados com o meio ambiente, voltados para a agrofloresta e o reflorestamento. 

“Eu comecei, além das abelhas, a me engajar com o movimento de agrofloresta. Fiz alguns cursos onlines, até um curso presencial em uma fazenda isolada, e aí eu fiquei muito envolvido com a questão do reflorestamento. Comecei a pensar em um projeto em que eu pudesse financiar e ajudar, comprar mudas, plantar, etc.”, explicou.

Assim, junto com um sócio, surgiu a ideia de vender camisas com estampas inspiradas na natureza. A proposta é que, a cada produto vendido, uma árvore seja plantada. Na loja online (loja.danielcady.com.br) já é possível garantir as peças, que tem parte do valor repassado para a ONG parceira, SOS Mata Atlântica. Atualmente, cerca de 500 árvores já foram plantadas por conta do projeto. “Eu fico muito feliz em contribuir com isso”, finalizou Cady.

Sob supervisão do repórter Lucas Salles*.