Nem Te Conto

Angélica posa com os filhos e adianta detalhes de novo programa

Apresentadora gravou piloto de nova atração, com direção de Boninho

Agência O Globo
A pequena Eva, de 6 anos, é a última a chegar para a foto. E, em poucos instantes, a caçula de Angélica e Luciano Huck rouba completamente a cena. Elogia o look dos irmãos, Joaquim e Benício, de 13 e 11 anos, respectivamente; suspira com os botões de urso panda de seu modelito; e rola no gramado com Gringa, uma simpática goldendoodle. Ao notar que a estampa do seu vestido é igual à da mãe, comemora dando uma estrela no jardim de casa.
Foto: Reprodução | Instagram
— A Eva vive me surpreendendo. Até os 5 anos, era muito tímida. Depois do aniversário de 6, ela se soltou. Tem uma força que me espanta e faz com que eu me coloque no papel de mãe. Tenho que segurar a ondinha dela. Não dá para bater palma o tempo inteiro. Às vezes, dou uma bronca e saio de perto para rir escondida — conta Angélica. — O Joaquim e o Benício são tímidos, assim como eu e o Luciano éramos quando pequenos. A Eva é uma novidade.
Durante o ensaio fotográfico, a caçulinha mostra as lições que aprendeu nas aulas de balé, sapateado e ginástica artística, e ajuda a arrancar sorrisos dos irmãos (e de toda a equipe de produção). A presença de Gringa e de Obama, o bernese que chegou à casa da família há um ano, também contribui para o clima de descontração.
— Preciso manter o Obama preso na coleira porque ele tem sete graus de miopia. Ele não está enxergando ninguém e pode atacar, pois está sem lente. Quando vai ao shopping, precisa de óculos — diz a apresentadora.
Ao receber o convite da Revista ELA para ser a capa da edição especial de Natal ao lado dos filhos, Angélica conta que se sentou para conversar com os três:
— Sempre tivemos a preocupação de não expor os meninos. Hoje sinto que eles estão mais fortes para dizer sim ou não, e não reclamar depois. Expliquei que as fotos também seriam publicadas na internet, essa terra de ninguém, que eles teriam que saber filtrar os comentários. E o Joaquim e o Benício toparam. Eva eu já sabia que ia adorar a ideia.
A noite do dia 24 é sagrada na casa da família Ksyvickis Huck. Angélica organiza decoração, ceia, amigo-oculto.
— O Natal é a minha festa preferida. Sempre gostei muito do meu aniversário, mas, depois que as crianças nasceram, isso mudou. Sou católica, o Luciano é judeu e conseguimos fazer um mix muito legal. Celebramos a família, que é o verdadeiro espírito natalino.
Os três filhos foram batizados na Igreja Católica — e os meninos também passaram pelo ritual do bris milá. Em maio deste ano, Joaquim fez o bar-mitzvá . E Benício sinalizou que pretende seguir o mesmo caminho (“Vou ser judeu igual ao papai e Flamengo igual à mamãe”, costuma dizer). Por sua vez, Eva já avisou que pretende fazer a Primeira Comunhão.
— Damos liberdade para cada um fazer a sua escolha. Tenho uma capela aqui em casa, que o Luciano me deu de presente no meu aniversário de 40 anos. Lá dentro, uma Torá fica ao lado de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, santa de minha devoção — diz Angélica. — Acho importante que os meus filhos aprendam as respeitar as diferenças.
Amigo da família, o padre Fábio de Melo já celebrou uma missa na capela particular.
— Angélica, Luciano, Joaquim, Benicio e Eva são vinculados por um amor responsável que me ensina a ser melhor — diz ele. — Por trás de duas pessoas públicas, há dois seres humanos extremamente conscientes de que o reconhecimento público só tem sentido quando os nossos bastidores também nos aplaudem.
Angélica valoriza muito a família e diz que, por ela, encararia qualquer desafio. Inclusive ser primeira-dama, caso Luciano se candidatasse a presidente da República — o que foi seriamente cogitado nas eleições de 2018.
— Sou muito comprometida com a minha família e com a vida. Se a vida apresentasse esse desafio para a nossa família, encararia, sim. Sem dúvida, a nossa base familiar é sólida e, juntos, enfrentamos qualquer coisa — afirma a apresentadora. — Acredito muito na força da instituição. A estrutura familiar, seja ela qual for, pode vencer essa raiva coletiva e essa vontade de xingar que estão no ar. Todo mundo respeita pai e mãe.
Angélica acha graça em quem diz que sua família parece viver dentro de um comercial de margarina.
— O nosso dia a dia é muito comum. Eu e Luciano brigamos, botamos as crianças de castigo, às vezes ficamos sem nos falar. Acontece. Pouco, mas acontece ( risos ) — conta. — Os melhores momentos são quando estamos juntos comendo uma pizza ou, como na nossa última viagem, andando em uma rua de Vancouver, no Canadá.
Religiosamente, os cinco passam as férias de janeiro e de julho viajando. — É quando nos conectamos para valer. Todo mundo toma café junto no hotel. Claro que todo dia vira uma gincana, pois cada filho quer fazer um programa diferente. Mas amo ter família grande. Aliás, só não tive mais filhos porque comecei com 30 e tive a Eva já com 39. Depois dos 40, a energia não é mais a mesma, não é mesmo? — diz Angélica.
Com 45 anos recém-completados, a apresentadora está de férias da televisão desde abril, quando se despediu do “Estrelas”, depois de 12 anos no ar.
— É um número simbólico. Estou repensando a minha vida e carreira. Sempre fiz análise, e amo. Além disso, no último ano passei a praticar ioga e meditação. E comecei a fazer neurolinguística. Preciso me preparar para o novo ciclo da vida. O que farei nos meus próximos 45 anos? — indaga.
Depois de seis meses de descanso, ela gravou o piloto de um novo programa, com direção de José Bonifácio de Oliveira, o Boninho, em um formato que mescla plateia e entrevistas. A estreia está prevista para abril de 2019.
— O programa reflete o meu momento atual: uma mulher de 45 anos que tem uma família, uma profissão e vive num mundo onde as pessoas precisam repensar os seus valores. A ideia é que, junto comigo, os espectadores descubram os seus propósitos. Estou vivendo essa busca. É um programa necessário, especialmente para mim.
Desde que se entende por gente, é a primeira vez que ela fica tanto tempo fora do ar.
— Comecei a trabalhar com 4 anos. Já podia estar aposentada há muito tempo — diz Angélica, que venceu o concurso A Criança Mais Bonita do Brasil, no programa do Chacrinha, começou a carreira fazendo comerciais de TV e, aos 14, estourou com o hit “Vou de táxi”, do seu primeiro LP. — Ainda não sinto saudades de estar no ar. Muito sincera, né? ( risos ). Mas estou bem. E acho fofo quando as pessoas me encontram na rua e perguntam quando vou voltar.
Enquanto não retorna, um dos programas preferidos de Angélica, atualmente, é gerenciar a agenda dos filhos.
— Sempre tive mil babás cuidando da minha vida. Se em alguma viagem fiz um sanduíche, uma salada ou um ovo, sinceramente não lembro. Quando Joaquim, Benício e Eva nasceram, pela primeira vez na vida tive a oportunidade de cuidar de alguém. Quando eles eram menores, levava feijão e panela de pressão na mala das férias para garantir o ferro. Algumas amigas dizem que sou supermãe. Acho que sou mãe e ponto. Não faço isso só por eles, faço por mim também. Sempre tinha o que queria na hora. Recebi tudo muito pronto. Agora, meus filhos me ensinaram a ser menos egoísta.
Uma de suas melhores amigas, a atriz Grazi Massafera a define como uma “mãe leoa”:
— Angélica me dá dicas e conselhos em relação a filhos e à vida. Ela tem um ciuminho discreto dos amigos, mas vai dizer que não tem ( risos ). Ela é especial, e isso todos já sabem. Ela tem superpoderes, e isso poucos sabem.
Angélica admite que também é ciumenta com os filhos, especialmente com Joaquim, que já recebe mensagens de várias amiguinhas via WhatsApp.
— Todas são educadíssimas e me adoram. E eu faço a linha amiguinha também porque não sou louca. Se você não pode com elas, junte-se a elas.
A apresentadora é igualmente presente no grupo do WhatsApp das mães da escola, participa das vaquinhas para comprar presentes para os professores dos filhos e entra na escala de quem leva e quem busca nas festinhas:
— Agir como mãe de verdade é um trabalho de nível executivo top. Tipo CEO — diz Angélica, que pede licença para dar tchau para Eva, que precisa deixar o set das fotos para não correr o risco de se atrasar para a aula de teatro.