Sob um cenário internacional desfavorável, as exportações da Bahia totalizaram US$ 11,52 bilhões em 2025 (dados sujeitos a revisão), o que representa queda de 3,2% em relação ao ano anterior. As importações somaram US$ 9,31 bilhões, com recuo de 12,8%. Com isso, o saldo da balança comercial do estado foi positivo em US$ 2,21 bilhões.

Os dados foram analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan), a partir de informações da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
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O desempenho negativo das exportações foi influenciado, principalmente, pela queda de 5,4% nos preços médios dos produtos vendidos ao exterior. O movimento reflete a nova conjuntura global, marcada por incertezas após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a diversos países, pela desaceleração do crescimento econômico mundial e pela consequente redução dos preços das commodities - base da pauta exportadora baiana.
As vendas externas do estado também foram condicionadas à evolução da demanda global e ao desempenho recorde da safra agrícola, em um ambiente de maior cautela nos investimentos e no consumo, provocado pelas tensões comerciais entre EUA e China.
Apesar disso, o volume embarcado reagiu no último trimestre e fechou o ano com crescimento de 2,3% na comparação interanual, resultado impulsionado pela expansão da safra agrícola e pelo aumento de 2,4% nos embarques para a China, especialmente de soja. As exportações do grão para o país asiático cresceram 10,1%, favorecidas pelo boicote chinês à soja americana.
Além da queda nos preços médios, fatores como a valorização do real frente ao dólar, o tarifaço americano - que chegou a 50% e durou cerca de quatro meses - e o aumento dos custos de produção pressionaram os exportadores baianos.
No acumulado do ano, as exportações da indústria de transformação recuaram 6% em valor, somando US$ 6,8 bilhões, influenciadas pela redução de preços em setores como derivados de petróleo, químicos, papel e celulose e produtos metalúrgicos, além da queda de 1,3% no volume embarcado.
Já os produtos agropecuários apresentaram crescimento de 1,1% em volume e 1,2% em valor. A soja e seus derivados alcançaram recorde de 6,98 milhões de toneladas exportadas, com alta de 2,3% em relação a 2024. Mesmo com redução média de 8,7% nos preços, o segmento atingiu receita recorde de US$ 2,77 bilhões.
O algodão também registrou recordes de valor e volume exportados (US$ 935,8 milhões e 590,2 mil toneladas), com crescimentos de 6,1% e 20,4%, respectivamente. As vendas de cacau e derivados (US$ 549,3 milhões) e de café e especiarias (US$ 493,8 milhões) também bateram recorde, beneficiadas pela alta dos preços internacionais.
A indústria extrativa teve aumento de 1,1% no valor exportado, impulsionada por um crescimento expressivo de 66% no volume embarcado, com destaque para minério de ferro (+864%), magnesita (+10,6%) e minério de níquel (+5,8%).
A China manteve a liderança entre os destinos das exportações baianas, respondendo por 28,4% das vendas externas em 2025 (US$ 3,27 bilhões). Embora o volume embarcado para o país tenha crescido 11,1%, a queda dos preços levou a uma redução de 2,8% no valor exportado.
As exportações para os Estados Unidos caíram 7,1%, totalizando US$ 819,4 milhões, impactadas pelo tarifaço. Houve retração nas vendas de pneumáticos, frutas, produtos químicos, minerais, pescado e calçados. Ainda assim, o volume total embarcado para o país cresceu 15,7%, impulsionado por produtos não afetados pelas tarifas, como celulose e derivados de petróleo.
Importações
As importações baianas somaram US$ 9,31 bilhões em 2025, com queda de 12,8% em relação ao ano anterior. A corrente de comércio do estado alcançou US$ 20,83 bilhões, recuo de 7,8% na comparação anual.
Na contramão do cenário nacional, as importações do estado diminuíram, impactadas principalmente pela redução de 41,7% nas compras de combustíveis, como petróleo cru, nafta, querosene e óleo diesel - única categoria com retração no ano. Os bens intermediários, que representam 57% da pauta, ficaram praticamente estáveis, com crescimento de 0,52%, acompanhando o ritmo lento da produção industrial.
As importações de bens de capital cresceram cerca de 60%, refletindo a maior demanda por equipamentos voltados a investimentos em infraestrutura e projetos industriais de longo prazo. Já as compras de bens de consumo dispararam, alcançando US$ 445 milhões e alta de 175,2%, impulsionadas por veículos, calçados - especialmente esportivos -, além de bacalhau, azeite e vinhos.
Os Estados Unidos permaneceram como principal fornecedor da Bahia, com 28,4% de participação, embora com queda de 6,8% nos desembolsos. A China assumiu a segunda posição, com importações de US$ 1,6 bilhão, alta de 58,4%, puxadas por veículos, fertilizantes, células fotovoltaicas, máquinas e equipamentos. A Costa do Marfim ficou em terceiro lugar, com US$ 551 milhões, sobretudo de cacau em grão, cujos preços permaneceram elevados em 2025.
As importações provenientes da Rússia caíram 50,4%, devido à redução nos desembarques de diesel e nafta. Ainda assim, o país manteve-se como principal fornecedor de fertilizantes para a Bahia, com compras de US$ 230,7 milhões e crescimento de 2,3% em relação a 2024.
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