Homem é condenado a 14 anos de prisão por matar namorada em Salvador
Crime aconteceu em dezembro de 2022, no bairro de Cosme de Farias, em Salvador

Um homem, identificado como Wagner Santos Oliveira, foi condenado a 14 anos e três meses de prisão pela morte da namorada, Madaí Santos São Bernardo, de 28 anos. O julgamento ocorreu na última quinta-feira (11), no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador (BA).

Segundo o g1, a decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença da 1ª Vara do Tribunal do Júri da capital baiana. Os jurados acolheram a tese do Ministério Público da Bahia (MP-BA) de que o crime foi um feminicídio, cometido por razões da condição de sexo feminino da vítima, além de ter sido utilizado recurso que dificultou sua defesa.
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Após a leitura da sentença, o juiz Paulo Sérgio Barbosa de Oliveira determinou a prisão imediata do réu, que cumprirá a pena inicialmente em regime fechado.
Relembre o crime
Madaí, que trabalhava como designer de sobrancelhas e cursava técnico em enfermagem, foi morta na madrugada de 11 de dezembro de 2022. Segundo a denúncia, o casal havia acabado de participar de uma festa de aniversário no bairro de Cosme de Farias.
Durante o julgamento, ficou esclarecido que o disparo ocorreu dentro da residência de Wagner. O tiro, que atingiu a cabeça da jovem, foi efetuado pelo próprio namorado, com quem ela mantinha um relacionamento há cerca de três a quatro meses.
Versão do acusado
Durante o júri, Wagner negou o feminicídio e afirmou que a morte foi um "acidente". Ele alegou que, após uma discussão, sacou a arma e Madaí teria pensado que ele atentaria contra a própria vida. "De acordo com a versão apresentada por ele, foi nesse momento que ocorreu o disparo acidental", diz o relato do julgamento.
O réu afirmou que saiu da residência desnorteado e que foi impedido de fugir por convidados da festa que estavam próximos ao local.
Contradições e perícia
A acusação destacou uma série de contradições no depoimento de Wagner ao longo do processo. Entre os pontos mencionados, houve divergências sobre:
- a motivação do crime e o conhecimento da vítima sobre problemas do réu com agiotas;
- a posse e o manuseio da arma de fogo;
- a vestimenta que ele utilizava no dia do fato;
A perícia foi um ponto central do julgamento. Enquanto Wagner dizia anteriormente que a arma estava apontada para cima, o exame pericial provou que o tiro foi dado com a arma encostada na cabeça da vítima. Ao ser confrontado com o laudo em plenário, o réu admitiu o contato.
Depoimentos e condenação
A irmã da vítima, Emily São Bernardo, afirmou durante seu depoimento que a família não aprovava o namoro devido à má reputação de Wagner, que teria envolvimento com crimes anteriores. A defesa da família destacou ainda que o réu não prestou socorro imediato, sendo o pai dele o responsável por chamar o serviço de emergência.
Embora o feminicídio tenha sido reconhecido, a pena foi calculada com base na legislação vigente em 2022, quando o crime ainda era tratado como uma qualificadora do homicídio, e não como um crime autônomo, como estabelecido pela lei sancionada em 2024.
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