O júri popular em Salvador condenou dois homens pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete, ocorrido em 17 de agosto de 2023, na última terça-feira (14). A sentença foi proferida no Fórum Criminal Ruy Barbosa após dois dias de julgamento.

Arielson da Conceição dos Santos, identificado como o mandante do crime, recebeu a pena de 29 anos e 9 meses de reclusão. Já o executor, Marílio dos Santos, foi condenado a 40 anos, 5 meses e 22 dias; ele permanece foragido, mas foi julgado por possuir defesa constituída.
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Ambos foram penalizados por homicídio qualificado - incluindo motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima. Em nota ao g1, a Anistia Internacional celebrou o desfecho, mas alertou para a necessidade de punir todos os envolvidos:
"A condenação dos réus deve ser reconhecida como um passo relevante, mas não pode servir para encerrar o caso politicamente nem para aliviar a pressão sobre o Estado. Justiça, neste caso, só existirá de forma efetiva quando houver responsabilização completa, reparação integral e mudança concreta nas práticas institucionais que seguem expondo defensoras e defensores à violência. A memória de Mãe Bernadete impõe ao Estado brasileiro não apenas o dever de punir, mas a obrigação de transformar. É por isso que reafirmamos: defender direitos não pode custar vidas".
Crime no quilombo

O assassinato aconteceu em agosto de 2023, no quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Na ocasião, dois homens invadiram a residência de Mãe Bernadete, afastaram seus três netos e dispararam 25 vezes contra a liderança.
As investigações apontaram que a ordem para a execução partiu de lideranças do tráfico de drogas local. Embora seis homens sejam suspeitos de participação no crime, apenas dois foram levados a este primeiro júri.
Indenização e proteção do estado
Na época do atentado, a ialorixá estava inserida em um programa de proteção da Polícia Militar há dois anos. Devido às falhas de segurança, a família de Bernadete moveu uma ação contra a União e o Governo da Bahia em 2025, solicitando R$ 11,8 milhões por danos morais.
Em fevereiro deste ano, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) confirmou que o pagamento da indenização foi concluído através de um acordo administrativo. Embora os valores permaneçam sob sigilo, Jurandy Pacífico, filho da líder, ressaltou que a medida possui um forte caráter simbólico e protetivo para os herdeiros.

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