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Incêndio

Polícia apura se crianças mortas na Bahia foram vítimas de maus-tratos

Segundo delegado, casa onde mãe e quatro filhos moravam há três meses era um 'ambiente insalubre, com condições de sobrevivência inapropriadas'

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Redação iBahia

06/05/2026 às 15:56 - há XX semanas
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A Polícia Civil da Bahia (PC-BA) intensificou as investigações sobre a morte de três crianças durante um incêndio na cidade de Serrinha, no interior do estado. Além do abandono que resultou na tragédia, as autoridades apuram se as vítimas viviam sob uma rotina de maus-tratos antes do ocorrido. O caso, que chocou a região no último domingo (3), envolve quatro irmãos que estavam sozinhos em casa quando o fogo começou; três deles não resistiram e um permanece internado.


					Polícia apura se crianças mortas na Bahia foram vítimas de maus-tratos
Foto: Reprodução/Redes Sociais

De acordo com o delegado James Moura, responsável pelo caso, o incêndio foi provocado acidentalmente por uma das crianças, que manuseava um isqueiro e ateou fogo em um colchão. Durante a perícia no imóvel, as condições de higiene chamaram a atenção dos investigadores.

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"No interior da residência, foi possível se constatar que se tratava de um ambiente insalubre, com condições de sobrevivência inapropriadas. Então, a Polícia Civil da Bahia também vai apurar se existiu a caracterização de crime de maus-tratos", destacou o delegado ao g1.


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Foto: Print via Cleriston Silva

Prisão da mãe e registros de abandono

A mãe das crianças, Cristina Nascimento de Jesus, de 27 anos, foi presa em flagrante após retornar ao imóvel em visível estado de embriaguez. Vídeos obtidos pela polícia confirmaram que ela passou a noite de sábado em uma festa enquanto os filhos estavam trancados.

"Através de diligências investigativas foi possível localizar vídeos em que a genitora das crianças se encontrava em um evento festivo, ingerindo bebidas alcóolicas, confirmando, então, a situação de abandono", pontuou Moura ao g1. Cristina teve a prisão convertida em preventiva e foi transferida para o Conjunto Penal de Feira de Santana pelo crime de abandono de incapaz.

O socorro às vítimas foi tentado por vizinhos logo após a única sobrevivente, uma menina de 7 anos, conseguir escapar e pedir ajuda. O servidor público Marcos Manoel Silva relatou o desespero ao tentar arrombar o imóvel. "Eu desci, peguei a serra, cortei o cadeado, acolhi ela na minha casa e, quando eu cheguei lá, não tinha mais condição de entrar mais", relembrou. Visivelmente abalado, ele lamentou a impossibilidade de salvar os outros irmãos: "O corpo ainda treme até agora. Mais pelas crianças, por estar impossibilitado de fazer alguma coisa. Isso é o que mais dói. Se fosse meia hora antes, não poderia salvar uma que fosse". As vítimas fatais foram identificadas como Jeremias de Jesus Borges (6 anos), Samuel Nascimento de Almeida (4 anos) e Ismael Nascimento de Jesus Borges (11 meses).


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Foto: Print via Cleriston Silva

Histórico com o Conselho Tutelar e a dor do pai

A família vivia em Serrinha há apenas três meses, após uma mudança vinda de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. O histórico aponta que o Conselho Tutelar já monitorava a situação desde dezembro de 2025, quando as crianças chegaram a ser acolhidas institucionalmente por 30 dias devido a condições precárias de saúde. Na época, a avaliação técnica sugeriu que não havia negligência intencional, mas sim necessidade de orientação, o que permitiu o retorno dos menores à mãe.

O pai das crianças, Joselito Almeida, que permanece no Rio Grande do Sul, relatou que pretendia buscar os filhos em junho e que já havia tentado, sem sucesso, fazer com que sua irmã retirasse as crianças da guarda da mãe. Ele descreveu o momento em que soube da tragédia: "Disseram: 'venha buscar seus meninos, seus meninos acabaram de morrer'. Meu celular caiu no chão, entrei em desespero, comecei a me tremer". Segundo Joselito, o comportamento de Cristina, envolvendo consumo frequente de álcool e festas, era recorrente.


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Foto: Reprodução/Redes Sociais

Prisão do avô

Em um desdobramento paralelo, o avô paterno das crianças, um idoso de 70 anos, acabou detido na última segunda-feira (4) ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Salvador. Ele acompanhava o filho para os trâmites do sepultamento quando a polícia identificou um mandado de prisão em aberto contra ele.

O crime, um homicídio a facadas ocorrido em outubro de 1998 na capital baiana, ainda possuía ordem de prisão preventiva ativa. O idoso foi conduzido pela Polinter e permanece à disposição da Justiça enquanto o caso principal de Serrinha segue sob investigação.

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