Dono do bordão ‘Barbie Grew’, Júnior Caldeirão fala sobre falta de espaço em eventos: ‘Quanto mais me desvalorizam, mais eu cresço’


Foto: Reprodução / Instagram

Consagrado como um dos principais destaques da nova geração de influenciadores digitais, o baiano Antônio Pereira Machado, o Junior Caldeirão, é um verdadeiro fenômeno nas redes sociais. Com certeza você já ouviu algum bordão do baiano enquanto rolava o feed do Instagram ou do Tik Tok: “Nhew”, “Barbie Grew”, “Tudo biene” e “Freeza, porque você matou o Kuririm” são os mais conhecidos do grande público.

Com apenas 21 anos, o feirense chama atenção pelo conteúdo bem-humorado. Animação, muita zoeira e frases de efeitos são os principais ingredientes das publicações do baiano, que possui mais de 5 milhões de seguidores no Instagram, e outros 11,2 milhões no ‘app da rede vizinha’.

“Eu comecei tudo sozinho, não quis ajuda de ninguém, eu sempre soube que seria famoso. Muita gente me deu apoio, disse que eu tinha talento e eu acreditei nisso. Comecei gravando para o Facebook, depois para o Youtube, aí depois fui para o Tik Tok. Só que nessa rede eu perdi duas contas aí me desanimei, como eu já tinha um público, mais de 200 mil seguidores, eu criei mais uma conta e em menos de um mês eu bati um milhão. Fui postando mais vídeos até que um viralizou e acordei famoso”.

O processo foi lento, mas a persistência dele fizeram com que ele criasse um público e esse foi o diferencial para o sucesso do influenciador. “Eu fui criando um público, acho que é por isso que eu tenho um público fiel a mim. O pessoal gostava de ver minha vidinha de merda. Era interessante ver”.

Nos últimos três meses, Jr. resolveu profissionalizar suas redes sociais e fazer do conteúdo de humor a sua principal renda. Foi nesse mesmo período que ele se deu conta de que é uma celebridade não só na internet, mas na vida real.

“Eu tive um choque de realidade. Comecei a realmente trabalhar com isso, profissionalizarl, ganhar dinheiro com isso. Só agora eu caí na real de sou uma celebridade. As pessoas me param na rua, famosos conversam comigo, a minha verificação no Instagram também. Isso é tudo muito bom e serei sempre grato aos meus seguidores, afinal foram eles que me colocaram aonde estou”.

Sobre de onde saem as inspirações para os bordões, ele explicou: “Você acredita que sai tudo naturalmente? Não existe um planejamento. Eu só falo e o pessoal gosta. Tem uns que eu acho que vai pegar e não pega. É tudo naturalmente”.

O apelido Caldeirão é uma homenagem a travesti Natasha Caldeirão, que ficou conhecida nacionalmente em 2018 após uma pegadinha.

Infância difícil

O poder da internet e a constância de Júnior fez com que ele mudasse de vida. Natural de Feira de Santana, a ‘fábrica de memes’ dividiu com o iBahia que sua infância foi em meio a um contexto familiar bastante difícil, mas que sempre foi uma criança comportada.

“Eu sempre fui uma criança muito comportada, graças a Deus. Isso aí mainha [de criação] pode provar. Eu cresci numa favela lá na Queimadinha [bairro de Feira de Santana]. Eu tive uma infância muito pobrinha. Morava numa casa pobrinha, bem simples. Eu morava numa casa que só tinha dois ou três cômodos que era bem pequenininho e morava eu, minhas primas […] eu fui criado rodeado de mulher. Por isso eu tenho uma coisa [jeito] bem garota”.

O baiano foi deixado pela mãe biológica e foi a mãe de seu pai quem o criou. “Só com sete anos anos de idade eu fui morar com a meus pais biológicos. Não queria, mas eles pediram pra mainha me devolver. Eu já tinha criado um laço e não queria me mudar. E com meus pais de sangue eu não tinha nada afetivo. A gente tinha que pedir pra poder comer. Perto de eu completar oito anos minha mãe sumiu. Ela brigava muito com meu pai. Ela sempre falava que ia embora, só que ela nunca ia. Nesse dia ela realmente foi”.

Com a ida da mãe, o influenciador viveu somente com o pai até os 15 anos e decidiu entrar na igreja. “Já fui uma ‘poc’ gospel, uma crente, uma mulher cristã. Eu era missionário, cantava na igreja. Com 16 anos eu viajei pregando por vários lugares”.

“Com 18 eu resolvi tocar minha vida, não tinha documentação, parei de estudar. Com 16 anos eu saí da escola. Meu pai não aceitava minha sexualidade, foi bem difícil esse período, mas passou”. Júnior, inclusive, ainda não terminou o ensino médio, mas garantiu que terminará o ano formado.

MTV Miaw

A ‘Barbie Grew’ do Tik Tok não só foi indicada ao prêmio MTV Miaw 2022, como saiu vencedora. Na categoria “Creator Supremo”, Junior concorreu com diversos grandes influenciadores da internet, entre eles Christian Figueiredo, Virgínia, Camilla de Lucas, Vanessa Lopes e Gkay.

“Eu gastei muito para ir à premiação, fui em cima da hora, mas minha equipe insistiu muito para que eu fosse e o próprio diretor geral da premiação fez questão que eu fosse e eu nem sabia quem ele era. Eu jamais imaginei ganhar, achei que quem venceria fosse a Gkay ou a Virgínia. Toda vez que vejo o gatinho [o troféu] eu penso que estou em um sonho”.

Foto: Reprodução / Instagram

Junior também entregou que ficou encantado com a quantidade de celebridades que conversavam com ele. Alguns, como o ator João Guilherme, filho do Leonardo, ele não fazia noção de quem era.

“Eu nem sabia quem era o João Guilherme. Ele veio, conversou comigo, como se fosse uma pessoa que já me conhecia. Eu fiquei: ‘Meu filho? Aí, meu Deus’. Fiquei chocado que ele me seguia”.

“Teve também a Pocah, mas ela eu conhecia e já conversava, a Bruna, namorada da Ludmilla, a Tainá Costa […] o Pedro Sampaio me colocou dentro do camarim dele e eu me senti uma rainha. A Gkay, inclusive vou pra ‘Farofa'”.

Racismo em todos os lugares

Embora tenha alcançado um patamar de fama considerável e seja reconhecido nas ruas por diversas pessoas, Júnior Caldeirão ainda sofre bastante preconceito em lugares que vai até mesmo quando contratado. O motivo? Racismo! Durante a entrevista, o influenciador se mostrou triste com esse fato, mas ponderou que a respostas aos racistas se dá com trabalho, coragem e determinação.

“Eu sou um combo de minoria. Sou preto, da favela, era pobre, gay afeminada… Sou totalmente fora dos padrões, mas eu tenho espelho em casa e me considero linda, maravilhosa, mas sei que não estou dentro dos padrões que a sociedade exige. A gente percebe [o preconceito] em todos os lugares. Você percebe que está em lugares apenas por ser preto [como se fosse para cumprir uma cota] e não pelo seu talento. O tratamento é diferente com uma pessoa branca dentro dos padrões. É perceptível”.

Júnior Caldeirão.

“E eu lido da seguinte forma, eles não me valorizam agora, mas quanto mais eles me desvalorizam, mas eu tenho vou crescer e fazer eles me darem o valor devido. É uma militância. Não preciso criar polêmica, me envolver em alguma, para ganhar seguidores… Quando eu crescer vai ser por mérito total meu. A minha militância é na vida”.

Principais inspirações

O influenciador baiano ainda contou sobre as pessoas nas quais se inspira. Tatá Werneck, Whindersson Nunes e Jojo Todynho estão na lista.

Whindersson me segue, mas nunca falei com ele porque eu tenho vergonha de mandar oi. Eu tento, mas não consigo. Ele já curtiu, comentou […] Jojo Todynho também, que eu amo de coração e com ela eu já conversei. Agora só falta a Tatá Werneck”.

Veja abaixo outros detalhes da entrevista

iB: ‘Big Brother Brasil 23’

Júnior: Eu fico no meio termo, porque eu sou chato, eu sou insuportável e fico pensando se o pessoal vai me amar muito ou vai me odiar. Eu adoro dormir, mas quando estou acordada eu sou bastante agitada. O pessoal terá que me acordar todo dia. A trombeta de Jesus voltando eu não escuto quando estou dormindo.

iB: Qual o maior sonho do Júnior?

Júnior: Eu já realizei a maioria deles. Meu objetivo atual é comprar uma casa para minha mãe. Uma casa na praia. Dona Cristina, a mainha, como gosta de ser chamada por todos os fãs. E logo após comprar a dela vou comprar a minha, uma mansão. Futuramente quero trabalhar na TV, de preferência na Globo.

iB: Maior medo?

Júnior: Eu acho que não tenho um medo específico. Acho que de Jesus voltar e eu não subir. Eu sou uma pessoa muito boa, eu vou ficar muito triste.

iB: Status civil?

Júnior: Eu sou piranha, sou poliamor, conheço a pessoa e já estou amando. Meu coração cabe todo mundo.

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