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'Recebemos a Palmares com recursos muito baixos', diz João Jorge

Pouco mais de uma semana após assumir oficialmente a Presidência da instituição, baiano fez balanço da situação após governo Bolsonaro

Alan Oliveira • 01/04/2023 às 8:00 • Atualizada em 01/04/2023 às 10:51 - há XX semanas

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					'Recebemos a Palmares com recursos muito baixos', diz João Jorge
Foto: Reprodução/ Instagram

Pouco mais de uma semana depois de assumir oficialmente a Fundação Cultural Palmares, que é uma das principais instituições negras do Brasil, João Jorge Rodrigues fez um balanço de como encontrou a entidade após o Governo de Jair Bolsonaro.

Entre problemas como quadro de servidores reduzido, sede inadequada para a atividade do órgão e queda da credibilidade, o principal apontado pelo baiano foi a falta de verba para administrar o próprio funcionamento.

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"Nós recebemos a Palmares com recursos muito baixos para funcionar. Quase que impossível de ter um custeio da máquina e fazê-la funcionar, e ter o investimento para apoiar outros setores de fora".

Os detalhes se enquadram em um diagnóstico parcial que João Jorge Rodrigues já havia dado antes mesmo de tomar parte de toda a situação da instituição, em janeiro deste ano. Na ocasião, ele havia classificado a entidade como "devastada fisicamente e moralmente".

Agora, oficialmente presidente da Fundação, ele tem tentado resolver os problemas em alinhamento com autoridades de todo o país. Desde a posse, João Jorge já participou de várias reuniões, tanto em Brasília quanto no Rio de Janeiro.


				
					'Recebemos a Palmares com recursos muito baixos', diz João Jorge
Foto: Reprodução/ Instagram

Em entrevista ao Preta Bahia desta semana, o baiano falou sobre as expectativas pessoais e detalhou as metas iniciais da reestruturação, sendo a captação de recursos o principal desafio da entidade.

"O principal desafio é aumentar a arrecadação de recursos para poder atender às demandas, apoiar, patrocinar as demandas da cultura negra. Vamos superar isso com a busca de recursos do próprío governo, das emendas parlamentares e da iniciativa privada. Com isso, vamos poder fazer a ação mais eficaz", disse.

"Vamos encaminhar as demandas, vamos resolver as coisas e colocar a Palmares para frente. A Palmares voltou. A Palmares vai voltar", completou.

Com mais de 47 anos de militância no movimento negro, o baiano foi nomeado líder da instituição pela atual ministra da Cultura, Margareth Menezes. Ele deixou a Presidência do bloco afro Olodum, em Salvador, para assumir o posto. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 21 de março, com assinatura do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa.


				
					'Recebemos a Palmares com recursos muito baixos', diz João Jorge
Foto: Divulgação

Com as mudanças, passaram a administrar o Olodum o até então vice-presidente do bloco, Marcelo Gentil, e o filho de João Jorge, Jorginho Rodrigues. Os dois assumem a tarefa de continuar tocando o crescimento da instituição que tanto representa a Bahia.

Atividade que João Jorge começou a executar em 1989, 6 anos depois de se envolver pela primeira vez com o bloco e 10 anos após a criação dele. Na época, o baiano buscava a preservação do tradicional desfile no carnaval de Salvador. Depois, se apaixonou, permaneceu e as ações se expandiram, projetos sociais surgiram e o grupo se tornou um dos símbolos do estado.

"Ao longo desses 40 anos, tratando do carnaval do Olodum, da Escola do Olodum, do Bando de Teatro, da Casa Olodum, da parceria com Michael Jackson, da recepção a [Nelson] Mandela, da relação com a Fundação Palmares, e ao mesmo tempo, com a ação do movimento negro representado pelo Olodum, pelas ideias do Olodum. Várias coisas que nós lançamos ao longo desse período", lembrou.


				
					'Recebemos a Palmares com recursos muito baixos', diz João Jorge
Foto: Reprodução/ Instagram

Durante a entrevista, João Jorge definiu o Olodum como o coração de Salvador e alma da percussão do Brasil. Emocionado, ele falou sobre a importância do bloco para a vida dele e de todos que já passaram por lá, como os atores Lázaro Ramos e Érico Brá, que são filhos do Bando de Teatro Olodum.

"Sem o Olodum não teria como ter essa história tão particular que eu tenho, tão especial. Não teria alcançado, não teria chegado a lugares tão diferentes. Olodum foi o abridor de caminhos para mim e para várias pessoas".

O baiano ainda revelou que a atuação no bloco fez com que ele participasse da criação da Fundação Cultural Palmares, em 1988. João Jorge ressaltou que acompanhou de perto a atuação da instituição ao longo dos anos, quando outras pessoas presidiam as atividades.

"Não imaginava lá atrás que um dia estaria aqui na função de presidente da Palmares e responsável por fazer a Palmares renascer, crescer de novo e mostrar a Palmares ao Brasil com uma nova cara, positiva, atuante, sem agredir a população negra", contou.

João Jorge Rodrigues também exaltou essa trajetória como ponto importante para a escolha dele como presidente do órgão. "Estar na Palmares ajuda a Palmares a caminhar junto comigo, com minha imagem, como que fiz até agora, e isso é muito bacana".


				
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Foto: Reprodução/ Instagram
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