Mãe de criança com transtorno do espectro autista denuncia ter sido expulsa do carro por motorista de aplicativo após criança ficar agitada


Foto: Reprodução/TV Bahia

Uma mulher denunciou ter sido expulsa enquanto fazia uma viagem por aplicativo depois que seu filho, uma criança com transtorno do espectro autista, ficou agitado durante a corrida, em Salvador. A mãe, Fernanda Martins, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e entrou em contato com a Uber para formalizar a denúncia. 

Em entrevista à TV Bahia, Fernanda relata que avisou o motorista sobre a condição do filho assim que entrou no carro e que ele não deu a respondeu. “Avisei a ele assim que entrei no Uber, eu sempre aviso a todos os motoristas, peço um pouco de paciência, que ele é autista e muito hiperativo. Ele ficou calado, não me deu resposta”, conta. 

Em certo momento da viagem, o motorista pediu para que a mãe controlasse o menino que sentava e levantava no banco do carro repetidamente. A criança começou a chorar quando Fernanda tentou segurá-lo e nesse momento o motorista começou a parar o veículo. 

“[Ele] já foi parando, desligando o carro e mandando: ‘Desça do meu carro que eu não vou te levar mais’. Eu fiquei assustada e falei: ‘Como assim você não vai me levar para a terapia do meu filho?”, relata Fernanda. 

Ela conta que o motorista a mandou pegar um ônibus e ela lhe explicou que não fazia viagens com o filho através do transporte público. “Eu falei que chamei a corrida porque eu não pego ônibus com meu filho. Ele falou: ‘Se vire’ e já foi descendo do carro. Eu me afastei dele e disse: ‘Você é desumano, eu te avisei que meu filho é especial’. E ele respondeu: ‘Eu sou desumano mesmo’”, ela complementa. 

A mãe registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e de acordo com o órgão o caso será apurado e Fernanda será intimada para fazer declarações, assim como o motorista por aplicativo. Em nota, a Uber afirmou que “o suporte da empresa está acompanhando o tema de perto e tomará as medidas cabíveis”. Eles também enfatizaram que não toleram nenhuma forma de discriminação e que fornecem diversos materiais informativos aos motoristas sobre como tratar os usuários com cordialidade e respeito.

Foto: Reprodução/ TV Bahia

Essa não foi a primeira vez que Fernanda passou por algo do tipo por causa da condição do filho. “Quando eu cheguei em casa estava muito nervosa, chorei muito porque dói, machuca bastante uma situação dessa. Logo quando eu descobri que meu filho era autista passei por uma situação quase parecida. Da primeira vez eu deixei passar, dessa vez não vou deixar”, pontua. 

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