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SALVADOR

Subúrbio ganhará marina de R$ 35 milhões com serviços

Lobato ganhará um complexo náutico, na área de antiga fábrica. Iniciativa deve gerar 350 empregos

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Redação iBahia

30/07/2016 às 14:42 • Atualizada em 27/08/2022 às 14:09 - há XX semanas
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A entrada da antiga fábrica de óleo de mamona Bom Brasil, na Rua Voluntários da Pátria, no Lobato, esconde parte da vista para a Baía de Todos os Santos. Mas, em breve, a paisagem deve mudar radicalmente: ali, bem em frente à linha dos trens do Subúrbio, será implantado o novo complexo náutico de Salvador, com direito a marina de serviços e lazer e empreendimento comercial e residencial.
O anúncio da implantação do Complexo Turístico Marina de Todos os Santos, com investimento previsto de R$ 35 milhões, foi feito ontem, após a assinatura de um memorando de intenções entre a prefeitura e os investidores da Todos os Santos Empreendimentos Imobiliários Ltda., pelo prefeito ACM Neto e o presidente da empresa, Luiz Antonio Sampaio, no Palácio Thomé de Souza. O complexo ficará em uma área com 134 mil² na orla do Lobato – bem onde funcionava a fábrica, cujo terreno foi vendido ao grupo.

					Subúrbio ganhará marina de R$ 35 milhões com serviços
Novo complexo náutico vai oferecer centenas de vagas secas, ou seja, fora do mar, para barcos e lanchas (Foto: Divulgação)
Na prática, a assinatura significa que os investidores vão levar o projeto em frente e que a prefeitura se compromete a ajudar com os procedimentos administrativos. A empresa, na verdade, é resultado de um fundo de investimentos internacional – que atua em marinas fora do Brasil, em países como a Turquia. Por aqui, a promessa é que o complexo movimente a economia náutica da cidade, em especial na região do Subúrbio. Serão gerados cerca de 350 empregos diretos e diretos.
“A ideia foi colocar para vingar um plano náutico cultural e turístico na cidade. O mercado náutico em Salvador é muito carente de vagas para barco. O pessoal viaja 1 hora, 1 hora e meia para Aratu e as marinas lá também estão lotadas. Aqui já tem uma marina que é uma das melhores do Brasil, mas que não consegue ter lugar para todos”, afirmou Sampaio, referindo-se à Bahia Marina.
Segundo Neto, a prefeitura criou uma força-tarefa para ajudar a viabilizar o empreendimento quanto a questões burocráticas, como as licenças municipais necessárias para a construção. “Me permitam dizer que, desde a inauguração da Bahia Marina (em 1999), não há nada relevante que tenha sido feito para a economia náutica na baía. É um projeto que não apenas assegura um número de vagas para barcos na cidade, mas que terá uma importância muito grande para uma região que tem recebido atenção do poder público, mas ainda tem uma carência de atividade econômica”, disse o prefeito, sobre o Subúrbio. ACM Neto ainda afirmou que Salvador tem interesse em um diálogo com as outras cidades da baía.
Vagas secas
A construção do complexo será feita em duas etapas. A primeira, no início de 2017, deve ocupar os quatro galpões que já existem no local. Nesse período, que deve durar pelo menos cinco meses, serão disponibilizadas 178 vagas “secas” para barcos e lanchas – fora do mar.
Já na segunda fase, o número de vagas secas passará a ser de 500, além de outras 50 no píer. Em terra, os galpões antigos serão demolidos para dar lugar a construções de três andares, onde será possível empilhar os barcos. De acordo com um dos diretores da empresa, Walter Arruda, o perfil da Marina de Todos os Santos será diferente da Bahia Marina, nesse aspecto.
“O principal será a vaga seca. Vai ter a vaga molhada, óbvio, mas o foco é a seca. Na Bahia Marina, eles têm um número de vagas secas limitado. Lá, teremos um número altíssimo, coberto e com a infraestrutura necessária. Às vezes, a região tem uma vocação natural para um determinado tipo de embarcação. Lá tem uma grande área terrestre, que favorece os galpões, e a localização náutica favorece barcos de pequeno porte”, apontou Arruda.

					Subúrbio ganhará marina de R$ 35 milhões com serviços
Comunidade
Um dos atrativos do empreendimento será a chamada Vila de Todos – um espaço de convivência entre a comunidade local e os frequentadores da marina, com um restaurante. “Desde o início, não queríamos levantar muros que separassem a comunidade do complexo. A Vila de Todos vai ser essa passagem da comunidade e da marina. Vai haver congregação, não segregação”, garantiu Arruda. Ela deve ser concluída entre a primeira e a segunda etapa.
Além disso, também será construída, dentro da marina, a Escola do Mar, que vai ser um centro de formação de mão de obra para atuar em atividades ligadas à economia e ao turismo náutico, destinadas principalmente aos moradores do entorno. Para completar, o empreendimento comercial e residencial terá desde supermercados e lojas relacionadas ao turismo náutico até um condomínio residencial. O grupo de prédios deve ter até cinco andares. O prazo para que tudo fique pronto é de cinco a oito anos.
Entre os moradores da região onde ficará a marina, a expectativa é de que a promessa de novos empregos se cumpra. “A ideia é excelente mesmo, porque vai gerar emprego e renda. Todo empreendimento assim ajuda as pessoas de bem, também porque melhora em termos de segurança. Muita gente ficou desempregada com o fim da fábrica e alguns foram trabalhar no interior”, contou o eletricista José Nilton Gonçalves, 53 anos, morador do Lobato há 35.
Um dos que ficaram sem emprego com o fechamento da fábrica foi o padrasto do sucateiro Ronaldo Pereira, 18, que trabalhava lá como soldador. “Foi alguns anos antes de fechar, na verdade, porque eles foram reduzindo os funcionários aos poucos. Ele ficou desempregado e foi fazendo uns bicos. Pode ser que com essa marina venham novos empregos. E tem muita gente que já trabalha com pesca, com barco”, citou.
Projeto só foi possível após sanção do PDDU
O Complexo Turístico Marina de Todos os Santos, no bairro do Lobato, no Subúrbio Ferroviário, será a primeira construção na cidade beneficiada pelo novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador (PDDU), aprovado no mês passado. É o plano que define como será feito o zoneamento da cidade, bem como os investimentos que podem ser realizados em cada área.
“Se observarem o que está no novo PDDU, que foi aprovado na prefeitura, ou mesmo na Lei de Ordenamento e Uso do Solo (Louos), que está em andamento na Câmara, e no trabalho do (Plano) Salvador 500, que está em curso e será apresentado ainda este ano à sociedade, a gente afirma categoricamente que o caminho para o desenvolvimento econômico do Subúrbio é a exploração da economia náutica e de todo esse potencial”, disse o prefeito ACM Neto, durante assinatura do memorando de intenções, ontem.
A última audiência pública sobre a Louos acontece hoje, no Centro Cultural da Câmara de Vereadores, na Praça Municipal. A partir das 8h30, o vereador Leo Prates (DEM), relator do projeto, apresentará à população o Relatório Final. Além das emendas ao projeto do Executivo enviadas pelos vereadores, o relatório final conta com o parecer dos técnicos sobre as mais de 120 propostas feitas pela sociedade civil. A audiência de hoje é chamada de devolutiva, que é quando a equipe técnica apresenta seu parecer sobre as proposições a respeito da matéria.
De acordo com o presidente da Câmara, Paulo Câmara (PSDB), o relatório final da Louos será votado em plenário depois de amanhã.
De acordo com o prefeito, o complexo marítimo será o primeiro grande investimento realizado ao longo da faixa litorânea da Avenida Afrânio Peixoto, a Suburbana, após as obras de requalificação na região. No mês passado, a via foi entregue após passar por melhorias e até construção de uma ciclovia em todos os seus 14 quilômetros de extensão. O prefeito citou, ainda, intervenções como a duplicação na Baixa do Fiscal para a infraestrutura da região.
Em novembro, Salvador deve promover um festival náutico, segundo o secretário de Turismo e Cultura (Secult), Érico Mendonça. “Vamos fazer a abertura com um congresso para discutir a economia náutica. Nesse evento, teremos discussões importantes de políticas públicas para o setor”, adiantou. Um dos palestrantes deve ser o velejador e empresário Lars Grael.
Investidores também querem construir marina em Maraú
Além da Baía de Todos os Santos, a Baía de Camamu, no Sul do estado, também está na mira dos investidores estrangeiros cujo fundo criou a empresa responsável pela implantação da Marina de Todos os Santos, no Lobato. A informação foi confirmada pelo presidente da empresa, Luiz Antonio Sampaio, durante a assinatura do memorando de intenções, ontem. “A ideia (dos investidores) é fazer outra marina na Baía de Camamu e depois fazer em outros lugares da costa brasileira, porque o Brasil é o país que tem mais costa tropical no mundo”, afirmou Sampaio.
Um dos diretores da empresa, o advogado Walter Arruda diz que o projeto deve ser concluído em até 15 anos, na região de Taipu de Dentro, em Maraú. “É um projeto bem para a frente, porque a região ainda precisa de infraestrutura, regulamentações. Mas o tempo depende de como vão acontecer as coisas”, comentou.
No caso do Lobato, segundo Arruda, a situação é bem diferente e já há no horizonte, inclusive, o público que deve frequentar a marina do Lobato. Apesar de quase todas as capitais nordestinas serem no litoral, ainda há poucas marinas na região, e os vizinhos devem ser visitantes contumazes. “Mas, conforme o empreendimento for ganhando notoriedade, o pessoal do Rio e de São Paulo, que gosta daqui, também virá, e o pessoal de fora do Brasil também”, previu.

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