Viagem ao passado

Game e história: conheça ‘Árida’, jogo baiano que tem o sertão do século XIX como cenário

Com um conceito educativo, game se tornou um material didático usado em centros educacionais de todo o país

Isla Carvalho
16/07/2022 às 8h00

5 min de leitura
Foto; Divulgação

Com ação, aventura e um cenário local conhecido, “Árida” é o novo lançamento da AOCA, estúdio baiano de games que deu vida ao jogo de exploração do sertão baiano. A proposta educativa traz a história da personagem Cícera, uma jovem sertaneja que vive em uma região ao extremo norte do estado durante o século XIX.

A primeira versão do Game foi lançada em 2019, apenas compatível para PC Gamer, mas a grande procura fez a com que a produção repensasse as plataformas. Filipe Pereira, um dos produtores de “Árida”, conta que a ideia de migrar para o mobile surgiu por uma demanda dos consumidores.

“O primeiro gatilho foi o público. Quando lançamos na Steam (loja virtual de games), as pessoas falavam que queriam jogar. Acho que porque viam muito do Brasil ali. Mesmo aqueles que não são nordestinos. Acho que porque o sertão é algo que tá muito no imaginário do brasileiro”, explica.

Inicialmente, “Árida” alcançou seu primeiro objetivo: a visibilidade das escolas. Com um conceito educativo, o game se tornou um material didático usado em centros educacionais por todo o país. Felipe explica que partindo daí, o interesse em ter o produto dentro do ambiente escolar cresce, mas a dificuldade em ter aparelhos compatíveis se torna um problema.

“Sabemos que a maioria das escolas não tem esse tipo de aparelho (PC Gamer) e em alguns casos não tem se quer o computador. E a mudança fez parte de uma das convicções da empresa, a ideia era fazer um game acessível e sair dos nichos”, explica.

A grande carga cultural é um dos motivos do sucesso de “Árida”, que se tornou um jogo licenciado para livros educativos e tema de mais de 40 trabalhos acadêmicos, desde a graduação até mestrados. O game é um verdadeiro portal para o século XIX.

O iBahia teve acesso exclusivo ao Press Kit da versão mobile que transporta o jogador no imaginário. Peças, objetos e até comidas típicas, tudo caracterizado como um verdadeiro transporte até a ancestralidade local.

As missões são compatíveis ao público-alvo e conseguem prender a atenção a partir de um roteiro que conta a história de Cícera, incluindo quem está com o controle.

Dificuldades:

“Árida” passou a ser compatível para mobile a partir da iniciativa do projeto de Aceleração de Jogos do Google Play. Nesse processo, Filipe conta que a principal dificuldade foi a alteração na capacidade técnica.

Como o Game foi criado apenas para a versão desktop, uma adaptação completa precisa ser feita antes que o design seja reproduzido nos celulares. Mas de acordo com o criador, atingir o máximo de usuários de diferentes nichos sempre foi o objetivo.

De acordo com o último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), no ano de 2019 menos de 40% da população do Brasil tinham aparelhos de computador em casa. Esse número levou a equipe de criação a entender o alcance em regiões específicas do país.

“A gente trabalha com uma temática histórica e cultural. Enxergamos os jogos como uma reconexão da história, e pra isso precisamos alcançar a maior quantidade de pessoas possíveis. O mobile é mais acessível e cabe no poder de compra de boa parte das pessoas”, conta Filipe.

Apesar do seu lançamento no Brasil, o jogo está disponível em seis línguas. A proposta de adaptar a produção para russo, chinês, espanhol, alemão e inglês, aconteceu focando na internacionalização da história cultural que o jogo carrega.

Objetivos futuros

“Árida: Backland’s Awakening Mobile” conta com um artbook digital com bastidores do processo criativo e deixa espaço para a imaginação do futuro da série. Victor Cardozo, Diretor de Arte na Aoca Game Lab, afirma que ainda em 2022 o público pode esperar novas versões atingindo todos os tipos de plataformas.

“Ainda neste ano, no segundo semestre, vamos também lançar as versões para consoles, completando aí a tríade das principais plataformas desse mercado”, adianta o designer.

Os produtores esperam atualizar a versão atual e propor melhorias, já que a nova adaptação vai permitir a criação em uma plataforma mais ampla onde, diferente do mobile, é possível inovar em questões visuais e técnicas.

Acesse o link para a versão mobile aqui.

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