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Sonho virou pesadelo

Exame de DNA errado separa família na Bahia: 'Minha honra'

Dona de casa relata abuso moral e agressões sofridas por seus filhos após exame de DNA errado separar família

Helena Pamponet Vilaboim • 17/06/2024 às 15:21 - há XX semanas

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Um erro num exame de DNA feito na Bahia causou a separação de uma família durante o período da pandemia de Covid 19. O relato dramático é da dona de casa Elizabete Santos Reis de Lima, 36 anos, que contou o caso ao portal Metrópoles.


				
					Exame de DNA errado separa família na Bahia: 'Minha honra'
Exame de DNA errado causa separação de família na Bahia: 'minha honra'. Foto: Reprodução / Metrópoles

A dona de casa conheceu o ex-marido, o professor Jeremias Batista Costa Filho, 39, durante encontros na casa do pai do professor, em 2018, que possuía uma congregação evangélica da qual Elizabete era missionária. O relacionamento da dona de casa com Jeremias engatou e os dois começaram a morar juntos um ano após o início do relacionamento.

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Elizabete disse que não demorou muito para que ela ficasse grávida de um casal de gêmeos: "Decidimos engravidar, mais por vontade dele, que me disse que sonhava em ser pai". Parecia o início perfeito da família, mas um erro laboratorial foi o início de uma avalanche de injustiças, contou ela.

Exame de DNA errado acarretou o final da família de dona de casa

Ainda segundo o relato de Elizabete ao Metrópoles, em 2020 o professor levou o menino para realizar um exame de DNA, pensando que as crianças não eram seus filhos. A dona de casa contou que na véspera de Natal daquele ano, o então marido havia lhe confrontado com o laudo do exame feito pelo “DNA Centro Laboratorial de Genética e Biologia Molecular”, em Salvador.

Elizabete contestou o laudo mostrado por Jeremias. “Fiquei sem saber do que se tratava. Não tinha verdade ali. Falei para ele que se ele não era o pai, eu não era a mãe”, relatou a dona de casa.

Ela contou também que sugeriu levar as duas crianças novamente ao centro médico para realizar outro teste, mas o professor havia se recusado. Diante disso, Elizabete contou que pensou que a única possibilidade seria que seu filho tivesse sido trocado na maternidade.

"Entrei em surto, porque tinha certeza que minha honra não havia sido quebrada, não havia outro pai, outro homem em minha vida.”, disse ela, adicionando que analisou as fotos tiradas do bebê ao nascer, comparando ao menino já mais velho.

Ex-marido difamou dona de casa

A tensão sobre o teste de DNA errado acabou fazendo com que o relacionamento entre Elizabete e Jeremias chegasse ao fim. Segundo ela, o ex começou a utilizar o documento para difamar sua imagem, usando termos como "adúltera, golpista e louca do gêmeos” para se referir a ela.


				
					Exame de DNA errado separa família na Bahia: 'Minha honra'
Exame de DNA errado causa separação de família na Bahia: 'minha honra'. Foto: Canva Fotos

A mãe dos gêmeos conta que a campanha contra sua imagem culminou em agressões morais e julgamentos sociais perante a comunidade. Ela e as crianças também foram expulsas da residência onde moravam após o término do relacionamento, o qual pertencia à ex-cunhada.

Elizabete contou ainda que ,durante esse período, pensou em tirar a própria vida, mas o carinho pelos filhos falou mais alto.

Procurando uma causa para o início da confusão, Elizabete chegou a entrar em contato com o DNA Centro Laboratorial de Genética e Biologia Molecular, e contou que uma funcionária havia lhe assegurado que os exames de DNA "não erram".

Durante as buscas, Elizabete entrou em um grupo do Whatsapp de mulheres que passavam pela mesma situação que ela, questionando a legitimidade dos resultados dos exames de DNA, derivado da rede de apoio Filhos do Vento. Nesses grupos, essas mulheres podem receber ajuda jurídica sobre seus casos.

Em 2022, ela levou as crianças novamente para um teste a pedido do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que comprovou que Jeremias é realmente o pai dos gêmeos, resultado que foi comprovado pela segunda vez em 2023, após o professor contestar o segundo laudo.

A justiça reconheceu a paternidade de Jeremias, não cabendo mais recursos, e obrigando-o a pagar pensão alimentícia para os filhos. Elizabete falou que o valor depositado é pouco mais de R$ 1 mil, valor insuficiente para cobrir os gastos da educação dos filhos. “A injustiça ainda impera, apesar de termos provado a verdade. Ninguém fez o caminho de volta para falar que errou. Quem me difamou não se desculpou pelo que disse.”, afirmou a dona de casa.

Ameaças de agressão

Elizabete contou ainda que o ex-marido chegou a ameaçá-la durante uma visita em sua nova residência, em 2023. Segundo ela, o professor haveria perguntado aos filhos "se sentiriam saudade da mãe."

Elizabete contou que entrou na justiça para pedir uma medida protetiva de urgência, impedindo que Jeremias pudesse chegar perto dela. "Entendi ali o tamanho do problema que estava enfrentando. Não existia amor ali, nem pelos filhos.", explicou.

No entanto, a dona de casa contou que o ex-marido não respeitou a ordem judicial e pediu para ver os filhos, atualmente com 4 anos. Elizabete falou que o encontro entre Jeremias e os gêmeos durou cerca de 30 minutos e, quando as crianças voltaram, estavam extremamente machucados, com arranhões e hematomas nos braços, pernas e nos rostos.

Segundo ela, o pai das crianças não explicou o estado dos filhos após a meia hora que passaram sob seus cuidados, alegando que os machucados foram causados por "forças sobrenaturais". Depois desse encontro, a mãe dos gêmeos não permite que Jeremias se encontre com as crianças.

A defesa de Jeremias

Segundo o Metrópoles, Jeremias alegou por mensagens de texto que Elizabete estaria mentindo e forjado a medida protetiva para ela e os filhos. Ele alegou ter provas conta "todos os ataques" da ex-esposa, mas não as enviou. “[Ela] usa de alienação parental e forjou uma medida protetiva”, escreveu o professor, que também alegou que Elizabete não teria nem provas, e nem razões para impedi-lo de encontrar os filhos.

A defesa do pai dos gêmeos alega que Jeremias cumpre com o que foi acordado na Justiça e pagado o valor da pensão "mesmo estando desempregado".

"Esclarecemos categoricamente que não houve qualquer agressão por parte do nosso cliente. Esses relatos estão sendo minuciosamente investigados para garantir que a verdade dos fatos seja estabelecida. A integridade física e emocional de todos os envolvidos, especialmente as crianças, sempre foi e continua sendo uma prioridade para o Sr. Jeremias, que repudia qualquer forma de violência”, diz a nota da defesa do professor.

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