Ouro usado em carne de R$ 9 mil experimentada por jogadores da seleção no Catar custa R$ 60 no Brasil


Foto: Reprodução

A carne de R$ 9 mil experimentada por jogadores da seleção brasileira no Catar, durante a Copa do Mundo, gerou comentários, memes e polêmicas. Mas engana-se quem acha que comer ouro é só para milionários. No Brasil, 10 unidades dessas folhas são encontradas sem dificuldades por R$ 60.

De acordo com a especialista em churrasco Paty Nobre, em entrevista ao UOL as folhas de ouro não interferem no gosto do alimento nem na sua textura. E que por serem finas e leves, se desmancham facilmente na boca do consumidor. Segundo ela, os papeis dourados servem apenas para modificar a aparência do prato, dando um visual de sofisticação.

Para um prato com 700g de carne nobre, Paty usou 10 unidades de papel dourado, no valor de R$ 60. A profissional ressaltou que o ouro utilizado nas carnes deve ser 24 quilates, que é 100% puro e não faz mal à saúde.

Chef celebridade

O restaurante visitado por Gabriel Jesus, Éder Militão e Vini Jr, além de outros jogadores de seleções que estão na Copa, é o Nusr-et, em Doha.

Os cortes folheados a ouro 24 quilates – e que chegam a mesa com direito a perfomance do chef – virou point de outras celebridades ao redor do mundo.

O steakhouse é uma das 32 unidades da rede do chefe e mestre açougueiro turco Nusret Gökçe. Salt Bae, como é conhecido, é parte da atração, com sua forma “peculiar” de temperar as peças de carne servidas aos clientes, já à mesa.

Só durante a Copa, já estiveram por lá o atacante polonês Robert Lewandowski e parte da seleção espanhola. No domingo, após a eliminação do Uruguai, foi a vez de Giorgian de Arrascaeta escolher o local para almoçar com a família.

O carro chefe da casa são as peças de carne folheadas a ouro. Há três opções de corte á moda. O filé, que mais aparece entre os pedidos dos clientes, custa 1,1 mil rials, ou R$ 1,5 mil, enquanto o mais caro é o tomhawk (corte do dianteiro do boi, considerada a parte mais macia do lombo, e servido com osso), que sai por incríveis 2,3 mil rials, ou R$ 3,3 mil. O prato mais em conta é o hambúrguer, com folhas de ouro no sanduíche e na batata frita, que custa 495 rials, ou R$ 700.

Polêmicas

No Twitter, o padre e ativista Júlio Lancelloti, que ajuda pessoas em situação de rua, afirmou que a situação era uma “vergonha”.

“É escandaloso num país onde 33 milhões de pessoas vivem a fome, em um mundo onde há milhões de pessoas que passam fome e que morrem vítimas da desnutrição e num país como o Qatar, onde há uma imensa pobreza e grande desigualdade. É um acinte tamanha ostentação”, disse ele ao UOL.

Ronaldo Fenômeno, que estava com os jogadores no vídeo em que provam a carne, minimizou a polêmica e considerou os questionamentos sobre o consumo do prato como discurso de ódio de cunho político.

“A Seleção Brasileira e os jogadores de futebol têm uma responsabilidade tão grande de transmitir o bem, e as pessoas estão confundindo futebol com política, com discurso de ódio. As pessoas estão muito perdidas. Hoje você não vê a pessoa discutindo futebol, é só opinião, cagando regra, e o discurso de ódio é constante”, declarou ao Podpah.

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