A repercussão das declarações transfóbicas do apresentador Ratinho sobre a deputada federal Erika Hilton abriu espaço para que um antigo colaborador do programa se manifestasse.

Ex-repórter da atração do SBT, Ney Inácio relatou episódios que afirma ter vivenciado durante os 23 anos em que integrou a equipe do apresentador no "Programa do Ratinho".
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Em vídeo publicado nas redes sociais, Ney explicou que decidiu se pronunciar após a repercussão do caso envolvendo a parlamentar. "Bom, essa questão do Ratinho estar sendo processado pela Erika Hilton por transfobia, né? Tem em todos os jornais, é o assunto do momento, só se fala nisso. Eu queria dar a minha opinião a respeito, ou meu depoimento, ou o meu testemunho a respeito", declarou.
No relato, o ex-repórter afirmou que o comportamento do apresentador já causava desconforto nos bastidores: "Ratinho sempre foi transfóbico, homofóbico, tudo que é ‘fobia’ ele tem", disse.
Algumas situações, segundo Ney, ocorreram no próprio palco. Ele contou que, ao ser chamado para apresentar reportagens, a produção frequentemente tocava a música "Pavão Misterioso". Ney afirmou ter pedido que a prática cessasse. "Ratinho, pelo amor de Deus, para com isso. Eu sou um cara sério, Ratinho, eu sou um jornalista, não cai bem", relatou.
Ainda de acordo com ele ao questionar o motivo da escolha da música durante uma entrada ao vivo, recebeu uma resposta do apresentador. "Ratinho, por que você sempre põe essa música? Não entendo", contou ter perguntado. Em seguida, segundo ele, ouviu a resposta: "Porque o pavão não abre o rabo? Ele abre o rabo igual você".
O jornalista também mencionou outro episódio diante da plateia, durante uma gravação. De acordo com ele, ao chamá-lo ao palco, o apresentador teria feito uma pergunta inesperada: "Você morde ou chupa?".
A situação teria causado reação imediata da plateia. "O pessoal morreu de dar risada", disse Ney, que contou ainda ter decidido deixar o palco naquele momento: "Eu peguei e saí de cena, virei as costas e fui para a coxia", relatou.
Daniela Beyruti toma atitude com Erika Hilton após fala de Ratinho
Daniela Beyruti, presidente do SBT, resolveu ligar para Erika Hilton após a polêmica durante o ao vivo do "Programa do Ratinho". As declarações do apresentador contra deputada, consideradas transfóbicas, aconteceram na última quarta-feira (11).
A parlamentar revelou que teve uma longa conversa com a filha de Silvio Santos, que pediu desculpas pelo ocorrido. “Eu recebi uma ligação da Daniela Abravanel. Ela me ligou, falou comigo, trouxe a visão do grupo, falou que o programa era ao vivo e etc. Então parece que esse comportamento não é o comportamento que representa o SBT e o Grupo Silvio Santos. É um caso isolado do apresentador Ratinho”, contou em entrevista ao Jornal dos Famosos, da LeoDias TV.
“Nós fizemos uma conversa por telefone de quase 10 minutos, foi muito gentil, muito educada… Disse para ela, inclusive, que tanto a minha avó, minha família sempre gostou muito do SBT, cresci vendo o SBT na minha casa (…) Ela já havia informado que o SBT tomaria medidas”, completou.

A fala do apresentador repercutiu nas redes sociais após ele criticar a deputada por presidir a Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados. "Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo. Com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans?”, disparou.
“Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias”. Veja:
Erika Hilton ataca Ratinho após transfobia no SBT e pede R$ 10 milhões

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) agiu rápido e acionou o Ministério Público Federal (MPF) para investigar o apresentador Ratinho e o SBT por declarações consideradas transfóbicas feitas durante a transmissão do "Programa do Ratinho" da última quarta-feira (11). Além da abertura de um inquérito civil, a parlamentar pede que seja movida uma ação civil pública com pedido de indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos à população trans e travesti. As informações são da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
De acordo com o documento encaminhado ao MPF, o apresentador teria negado repetidamente a identidade de gênero da deputada ao comentar sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. A parlamentar recebeu 11 votos favoráveis no segundo turno da votação, alcançando a maioria simples.
Durante o programa, Ratinho afirmou: "Ela não é mulher, ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher".
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