Homem é condenado a comprar livros feministas para prostituta
Investigação sobre rede de prostituição envolvendo duas adolescentes começou em 2013

Um tribunal de Roma, na Itália, obrigou um cliente de uma prostituta menor de idade a dar de presente para a adolescente 30 livros que abordam a condição da mulher. Segundo informações da imprensa italiana, divulgadas nesta sexta-feira (23), o homem ainda foi condenado a dois anos de prisão. As cartas de Anne Frank, poemas de Emily Dickinson, ensaios de Virginia Woolf e Hannah Arendt são alguns dos livros que o cliente terá de comprar. A sentença da juíza Paola Di Nicola, a pedido da promotora Cristiana Macchiusi, conclui uma investigação sobre uma rede de prostituição que envolve duas meninas então com 14 e 15 anos que começou em 2013. De acordo com a Agence French Press (AFP), duas meninas levavam uma vida dupla: de manhã assistiam a aulas no colégio e de tarde iam para um apartamento do elegante bairro romano de Parioli, no norte da capital, onde trocavam sexo por dinheiro e drogas. A pedido de uma das mães, a polícia italiana interceptou telefonemas entre as jovens, um intermediário e os clientes, e deteve cinco pessoas, entre elas a mãe da prostituta mais jovem e vários clientes, entre eles empresários. As adolescentes disseram para os investigadores que ofereciam sexo em troca de dinheiro para poder "comprar roupas novas e celulares modernos". A imprensa local pediu a opinião da filósofa e feminista Adriana Cavarero, sobre a condenção e os livros que serão doados. "Preferia que a juíza também tivesse obrigado o cliente das prostitutas a ler esses livros", afirmou a professora de Filosofia na Universidade de Verona. "Durante a adolescência, não se reflete, mas o que ele fez é muito mais grave: um adulto que compra conscientemente relações sexuais com uma menor de idade", disse.
Veja também:
Leia também:
Participe do canal
no Whatsapp e receba notícias em primeira mão!
Acesse a comunidade

