CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Justiça

Doméstica em trabalho análogo ao de escravo: Justiça condena casal

Doméstica foi mantida em situação semelhante à de uma escrava durante 40 anos em Vitória da Conquista

foto autor

Isadora Gomes

17/04/2024 às 16:17 • Atualizada em 17/04/2024 às 16:39 - há XX semanas
Google News iBahia no Google News Google Adicionar como fonte preferida no Google

Um casal na Bahia foi condenado por manter uma empregada doméstica em trabalho análogo ao de escravo por cerca de 40 anos. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) foi feita em 2022 e a condenação da Justiça foi divulgada na terça-feira (16).


					Doméstica em trabalho análogo ao de escravo: Justiça condena casal
Casal é condenado por manter doméstica em trabalho análogo ao escravo. Foto: Reprodução/Google Maps

De acordo com o MPF, os auditores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) encontraram diversas infrações às leis trabalhistas na residência dos acusados, como a ausência de registro formal de emprego e o não pagamento de salários e de benefícios, como férias. Além disso exigiam jornadas exaustivas de trabalho para a doméstica.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Leia também:

Apos decisão da Justiça, o casal foi condenado a quatro anos de prisão, convertidos em serviços à comunidade, por causa dos crimes cometidos. Além de multas e perda do imóvel onde a vítima trabalhava. A decisão ainda cabe recurso.

Durante as investigações, a defesa dos acusados afirmou que existia um vínculo afetivo entre a empregada doméstica e os membros da família. Contudo, o Ministério Público Federal (MPF) determinou que essa relação não era familiar, pois o ambiente era de subjugação.

Doméstica recebeu cópia da sentença

O MPF também argumenta a falta de oportunidades educacionais para a empregada, contrastando com o acesso à educação formal dos demais membros da família, o que prova que os acusados tinham consciência de estar agindo de maneira ilegal.


					Doméstica em trabalho análogo ao de escravo: Justiça condena casal
Doméstica foi mantida em trabalho análogo ao escravo durante 40 anos. Foto: Ministério do Trabalho

O caso gerou tanta comoção que o juiz Fábio Moreira Ramiro se dirigiu à vítima na leitura da sentença: "Tome para si sua liberdade inalienável e intangível por sinhás ou por casas grandes ou pequenas, porque essa liberdade é somente sua, e são seus, apenas seus, os sonhos que insistem em florescer a despeito de uma longa vida de tolhimentos e de frustrações do exercício do direito de ser pessoa humana”.

A Justiça determinou também que uma cópia da sentença seja entregue pessoalmente à vítima. Neste caso, o oficial de Justiça deverá ler a sentença de maneira adequada, didática e compreensível, levando em consideração que a doméstica não aprendeu a ler.

Participe do canal
no Whatsapp e receba notícias em primeira mão!

Acesse a comunidade
Acesse nossa comunidade do whatsapp, clique abaixo!

Tags:

Mais em Justiça