'Trabalho duro'

Cenário, figurino, coreografia e ensaios em 3 meses: saiba como foi preparação de quadrilha junina que conquistou título de bicampeã na BA

Criada em 1999, a Cia da Ilha teve sua primeira vitória 20 anos depois, em 2019, e agora levou a segunda, após todas as incertezas da festa diante do período mais crítico da pandemia de Covid-19

Alan Oliveira
22/06/2022 às 6h30

6 min de leitura
Foto: Sidnei Florencio/ Bahiatursa

Quem acompanhou a apresentação da vencedora deste ano do Campeonato Estadual de Quadrilhas Juninas, realizado em Salvador, não imagina o trabalho que deu para tudo ficar pronto.

Diante da incerteza da realização das festas juninas e também da competição no estado, o grupo precisou “dar aquele gás” no processo de produção, para que tudo desse certo.

Entre a possibilidade dos festejos acontecerem e o dia da apresentação das quadrilhas, foram cerca de 3 meses de preparação.

Isso mesmo. Em 3 meses, a Cia da Ilha, que saiu da Ilha de Itaparica para brilhar na capital baiana, montou o cenário do espetáculo, produziu os figurinos, trabalhou na coreografia e ainda ensaiou tudo muito bem ensaiado, para que nada saísse do esperado.

Esse processo foi detalhado pelo coreógrafo Leandro de Oliveira, que integra a equipe, durante entrevista ao iBahia.

Foto: Sidnei Florencio/ Bahiatursa

“Esse ano foi um ano atípico. Já próximo ao São João, a gente não tinha a certeza de que iria ter realmente o São João, que iria ter apresentação de quadrilhas, que iria ter concursos. Então, o processo de produção de todo espetáculo, a montagem de coreografia, produção de figurinos, produção de cenário, ensaios de banda, durou 3 meses”, contou o coreógrafo.

E toda essa organização só foi possível porque, segundo Leandro, já havia um processo de se pensar em como seria a apresentação, mesmo diante de todas as dificuldades.

“Lógico que a gente vinha discutindo as ideias, mas nada posto em prática, devido a essa incerteza. Porque a gente não tinha como investir sem saber se realmente iria levar para quadra”.

Para o coreógrafo e para o restante do grupo, a vitória representa o reconhecimento desse trabalho, que une todos os cerca de 130 integrantes da Cia.

“A gente fica muito feliz, porque é o reconhecimento de um trabalho duro. A gente se dedica bastante, a gente ensaia muito, a gente pesquisa bastante, a gente tem uma equipe artística muito comprometida, a gente tem um grupo também de brincantes que compram realmente a nossa ideia e vão a fundo. Enfim… o reconhecimento desse esforço é sempre muito gratificante. A gente sempre fica muito feliz”.

A pandemia

Fundada em 1999, a quadrilha teve sua primeira vitória 20 anos depois, em 2019, ano que em que foi realizada a última edição do campeonato antes da pandemia.

Entre a vitória e o retorno às competições, o tempo curto de preparação da apresentação não foi a única dificuldade enfrentada. Foram quase dois anos de distanciamento social, sem apresentações e ensaios presenciais. Ou seja, sem que o grupo pudesse fazer aquilo que mais gosta.

Para manter a equipe unida, a alternativa encontrada foi manter as atividades online, com lives e competições à distância.

“A gente se manteve ativo nas redes e conectados a partir disso, mas presencialmente a gente não pôde, tanto por causa da pandemia, por estar respeitando as restrições de saúde, e porque a gente também não sabia se iria ter campeonato”.

A retomada das apresentações e a manutenção do título de vencedora, tiveram um gostinho todo especial para o grupo, como explicou Leandro.

Foto: Sidnei Florencio/Bahiatursa

“Em 2019, foi nosso primeiro título de campeã do estado. Então, isso é muito simbólico. Mas esse segundo título tem essa coisa do peso, de você conseguir se manter no topo, de reconquistar, de estar lá. E tem o simbólico desse retorno da pandemia. Todo mundo muito saudoso desses dois anos sem São João. Enfim… são duas sensações diferentes. Mas eu acho que esse retorno foi muito emocionante pela saudade. Estava todo mundo muito saudoso e foi especial também por isso”.

Tema e expectativa

Para este ano, a Cia da Ilha apostou no tema “O Vigário me Contou”. Além da produção, banda e todos os outros profissionais que também participam da apresentação, a quadrilha teve a participação de 800 pessoas dançando na arena montada na Praça da Revolução, no bairro de Periperi.

A companhia estava dividida em dois grupos, com 40 pares cada, e representando duas paróquias diferentes, que apareceram na história contada na apresentação. Tudo muito bem trabalhado pela equipe. Não é à toa que conquistou a vitória.

Para o ano que vem, quando a quadrilha retoma na expectativa de se tornar tricampeã, já há ideias saindo do forno.

“A gente não para. A equipe artística está sempre se provocando, discutindo, mas ainda está tudo muito verde. Ainda estamos no centro do epicentro junino. Tivemos essa conquista, mas ainda tem outros concursos fora do estado. Temos viagens para representar a Bahia e também tentar focar nisso. Trazer o título para o nosso estado. Mas ao mesmo tempo em que elas estão verdinhas, elas estão ali vivas, porque a gente quer sim estar forte novamente em 2023 e manter-se no pódio, manter-se campeã”, conta Leandro.

Foto: Sidnei Florencio/Bahiatursa

Campeonato

Esta deveria ter sido a 15ª edição do campeonato, mas, como tudo ficou suspenso no período mais crítico da pandemia de Covid-19, o evento retornou em 2022 em seu 13º ano.

A competição aconteceu entre os dias 13 e 19 de junho, sendo o último dia o mais importante, com a definição da quadrilha vencedora.

Após a contagem dos pontos, o grupo Forró do ABC, do bairro da Liberdade, na capital baiana, que tinha ficado em terceiro na última edição da competição, ficou em segundo lugar nesta.

Já em terceiro no pódio, ficou a quadrilha Forró Asa Branca, do bairro do Cabula, também em Salvador, que em 2019 havia conquistado o segundo lugar.

Foto: Sidnei Florencio/Bahiatursa

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