Brasil

Mancha de óleo é encontrada no Rio de Janeiro

Este é o 11º estado brasileiro a ser atingido pelo óleo

Agência O Globo
Pequenos fragmentos de óleo foram detectados e removidos na Praia de Grussaí, em São João da Barra, no estado do Rio, nesta sexta-feira. Este é o primeiro registro do material no litoral fluminense. A informação foi divulgada pelo Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado pela Marinha do Brasil (MB), Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

Segundo os órgãos, o material corresponde a cerca de 300 gramas e foi analisado pelo Instituto de Estudo do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) e constatado como compatível com o óleo encontrado no litoral da região Nordeste e Espírito Santo.
Divulgação/Marinha do Brasil
Um grupamento de militares da MB já se encontra no local efetuando monitoramento e limpeza. Servidores do IBAMA se juntarão a essa equipe neste sábado.

Fragmentos de óleo já tinham sido encontrados na praia de Camburi, em Vitória, capital do Espírito Santo, no último sábado.

As manchas de petróleo em praias do Nordeste começaram a aparecer na Paraíba. A substância é a mesma em todos os locais: petróleo cru. O fenômeno tem afetado a vida de animais marinhos e causado impactos nas cidades litorâneas.

O Rio é o 11º estado brasileiro a ser atingido pelo óleo. Já haviam sido afetados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo. O levantamento divulgado pelo Ibama, na quinta-feira, informou que 724 localidades forma contaminadas. Entre os municípios do litoral nordestino, 72% dos municípios tiveram praias afetadas desde o início do desastre ambiental.

Investigações

O navio Bouboulina, de bandeira grega e propriedade da empresa Delta Tankers LTD, segue sendo o principal suspeito pelo vazamento do petróleo. É o que sustenta o Ministério Público Federal (MPF) no Rio Grande do Norte, que acompanha as diligências da investigação da Polícia Federal (PF) responsável por apontar a embarcação como foco suspeito do derramamento de óleo.

O MPF aponta dificuldades de colaboração por parte da Delta Tankers, que não teria fornecido os documentos sobre o transporte dos barris embarcados na Venezuela, e por parte das autoridades da Grécia, neste caso em razão da inexistência de um acordo bilateral com o Brasil.

Em resposta aos questionamentos feitos pela reportagem, a empresa afirmou, primeiro, que os documentos foram encaminhados para o Ministério de Assuntos Marítimos da Grécia na semana passada e que nunca houve um contato direto com as autoridades brasileiras. Depois, numa nova resposta, a Delta Tankers disse que confirmava o recebimento dos documentos pelo Brasil, inclusive com reuniões entre autoridades nacionais e representantes da empresa grega.