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Perrengue chique

Ricardo Ishmael é salvo por 'baianidade' em aeroporto de Marrocos

Ricardo Ishmael está no Marrocos acompanhando a turnê do Ilê Aiyê para um documentário especial da TV Bahia e enfrentou perrengues para entrar no país

Nathália Amorim • 27/06/2024 às 17:07 • Atualizada em 27/06/2024 às 17:29 - há XX semanas

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O jornalista Ricardo Ishmael, da TV Bahia, está acompanhando o Ilê Ayiê no Marrocos, na África, durante a turnê especial do primeiro bloco afro do Brasil, que celebra 50 anos de existência em 2024 e vai passar por dez das cidades mais importantes cidades do mundo.


				
					Ricardo Ishmael é salvo por 'baianidade' em aeroporto de Marrocos
Ricardo Ishmael está no Marrocos acompanhando a turnê do Ilê Aiyê para um documentário especial da TV Bahia e enfrentou perrengues para entrar no país. Foto: Arquivo Pessoal

Experiente, com 23 anos de carreira somente na TV Bahia, ele recebeu a missão de documentar a história de perto, em um projeto audiovisual que vai ao ar em novembro deste ano pela emissora. O desafio é profissional, mas também pessoal, já que desbrava uma nova língua e cultura.

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Em entrevista exclusiva ao iBahia, Ricardo revelou o primeiro 'perrengue' da viagem, após ser barrado no serviço de imigração do país. Bem-humorado, o jornalista contou como a 'baianidade' o salvou e foi responsável por fazê-lo entrar no país.

"Quando nós chegamos ao aeroporto em Marrakech, o colega cinegrafista foi o primeiro a passar pelo serviço de imigração e estava tudo certo com o passaporte dele, foi logo liberado. Na sequência, foi a minha vez e deu algum problema na leitura do código do meu passaporte", começou.

Em um país que fala árabe, Ricardo fez a 'lição de casa' - como o mesmo descreveu - e aprendeu algumas palavras no idioma. No momento do susto, com o problema no passaporte, tratou de usar as palavras que já sabia.


				
					Ricardo Ishmael é salvo por 'baianidade' em aeroporto de Marrocos
Ricardo Ishmael no Marrocos com o Ilê Aiyê. Foto: Arquivo Pessoal

"E aí, eu ali puxando um árabe, já comecei com cumprimento em árabe, dei boas-vindas, ele sorriu, e ele insistia. Ele passava o passaporte naquele leitor digital, e não liberava. Passou no do colega ao lado da imigração e também não lia", continuou.

Nem mesmo a experiência de outras viagens o fez relaxar. Afinal, ninguém quer ir à temida 'salinha da imigração'. Ricardo Ishmael manteve a boa simpatia, e respondeu às perguntas até que foi surpreendido por uma pergunta.

"Eu comecei a ficar nervoso e eles me perguntaram: 'você teve algum problema com seu passaporte no Brasil?'. E eu falei: 'não, tá tudo certo'. Um terceiro leitor também não passou e aí teve um momento, tenso, de: 'o que vai acontecer agora? Vão me chamar lá para salinha, vou ser deportado, vão me mandar voltar ao Brasil'. Até que, teve uma hora que eles olharam bem para mim e perguntaram: 'vocês são da Bahia?'", relatou.

Como o Ilê Ayiê já tinha passado pelo processo, e os funcionários do aeroporto sabiam que o grupo está no país para se apresentar no Scène Moulay Hassan, o principal palco do festival em Essaouira, rapidamente Ricardo Ishmael, conhecido pelo seu trabalho como jornalista, foi associado à baianidade e com a música baiana.


				
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Ricardo Ishmael no Marrocos com o Ilê Aiyê. Foto: Arquivo Pessoal

"E eles: 'Música baianas?'. E eu: 'Sim!'. Aí eles: 'Ah, tudo bem!', carimbou o passaporte e deixou passar", disse entre risos ao iBahia.

Ricardo Ishmael desbrava língua e gastronomia árabe

Liberado na primeira etapa, o jornalista segue acompanhando os passos do Ilê. De Marrakech, ele, a equipe da TV Bahia e o grupo foram de van até a cidade onde vai acontecer o festival.

Apesar de já ter ido ao Marrocos alguns anos atrás, esta é a primeira vez que conhece Essaouiria. Como viajante, a língua é um desafio.

"Tem sido desafiador esse trabalho. Primeiro, porque é um país de língua árabe, um país de língua muçulmana. Um país que ainda é resistente ao inglês, então, a gente se comunica sobretudo em francês e na linguagem universal dos sorrisos e dos gestos. Embora seja um povo muito simpático, acolhedor, eles são muito primorosos com a língua. Então, temos aí a pequena barreira da língua, mas que não impede em nada o desempenho do trabalho", disse ao iBahia.


				
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Ricardo Ishmael está no Marrocos acompanhando a turnê do Ilê Aiyê para um documentário especial da TV Bahia e enfrentou perrengues para entrar no país. Foto: Arquivo Pessoal

Antes de sair de Salvador, Ricardo aprendeu um pouco do idioma como forma de respeito ao povo que o acolhe.

"No início, eu fiquei um pouco tensa com o árabe. Eu fiz umas aulinhas. Eu até brinquei com Cristiano Caldeira, nosso gerente, que eu ia fazer um curso intensivo de Francês e um rapidíssimo de árabe. Eu gosto, eu acho um sinal de respeito você cumprimentar na língua local e isso abre portas", continuou. "Eu pude cumprimentar os responsáveis pelo acesso à mesquita, que é um ponto turístico, e eu percebi pelo olhar deles como eles ficaram satisfeitos com a saudação na língua deles por um grupo de fora", completou.

E quem viaja também não deixa de experimentar a gastronomia local. Ricardo Ishmael está aproveitando para conhecer uma iguaria que quem é baiano já sabe que ele é apaixonado: o cuscuz.

"Eu como cuscuz quase todos os dias, aqui no Marrocos, então, é o país do cuscuz marroquino, eu estou em casa. Me adaptei muito bem ao paladar, eu não tive nenhum problema e eu provo de tudo. Todos os molhos, eu vou colocando um pouco, porque eu quero saborear tudo. E eu adoro o tempero deles. Eu tenho uma pequena resistência à pimenta cominho, e, mesmo ela, que vai em tudo aqui, não me deu reação", contou.


				
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Ricardo Ishmael está no Marrocos acompanhando a turnê do Ilê Aiyê para um documentário especial da TV Bahia e enfrentou perrengues para entrar no país. Foto: Arquivo Pessoal

Enquanto isso, a equipe que o acompanha estranhou um pouco um tempero marroquino, conhecido pelo sabor acentuado. Ele ainda destaca a produção dos pescados na região, com camarões, lulas e frutos-do-mar.

"Parte da equipe estranhou o tempero marroquino, que é um tempero muito acentuado. Esse é o país das especiarias também. Muito condimento, muita especiaria, e eu adoro isso. Tem um toque agridoce na culinária marroquina que eu adoro. [...] É tudo muito lindo e, bem, me esbaldo, né!", ressaltou.

Ricardo Ishmael vai seguir acompanhando o Ilê Ayiê nos próximos dias. Ao iBahia, ele salientou a gratidão que sente pelo momento. A viagem marca a segunda vez em que sai do país para uma reportagem especial. A primeira ocorreu em 2019, quando foi responsável por acompanhar a canonização da Santa Dulce dos Pobres, em três cidades, Lisboa e Porto (Portugal), Madrid e Barcelona (Espanha) e Roma e Cidade do Vaticano (Itália), que resultou em 30 dias de reportagens gravadas e entradas ao vivo para a TV Bahia e a Globo.

Ricardo Ishmael, repórter, jornalista, apresentador e escritor se encontra mais uma vez imerso em um novo desafio profissional, mas também se expondo às novas culturas e a persona viajante.


				
					Ricardo Ishmael é salvo por 'baianidade' em aeroporto de Marrocos
Ricardo Ishmael em 2019 durante cobertura da canonização da Santa Dulce dos Pobres. Foto: Arquivo Pessoal

"É desafiador para mim, profissionalmente, mas também como pessoa. Eu sou viajante e gosto de me expor às culturas. Tem um ditado, que eu descobri no Marrocos, que traduzindo livremente para o português é: 'No Marrocos, vista-se como marroquino'. Nada mais é do que adapte-se a cultura, permita-se a essa cultura para que vocês possam explorar tudo o que o Marrocos tem a oferecer. Eu acho muito bonito isso e tem sido um aprendizado muito grande. Um aprendizado profissional, pela responsabilidade de você estar à frente de um produto documental, que é um filme que vai ficar para a posteridade, mas também uma gratidão muito grande", finaliza.

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