Corpo de homem morto em ação policial no aniversário da filha é enterrado em Salvador


Fotos: Reprodução/TV Bahia

Foi enterrado no final da tarde desta segunda-feira (30), o corpo do homem que foi baleado durante uma ação policial no aniversário da filha dele, no bairro de Paripe, no subúrbio ferroviário de Salvador, no último fim de semana.

O sepultamento foi realizado no Cemitério Municipal de Periperi, na mesma região onde aconteceu o caso. Dezenas de amigos e familiares participaram da cerimônia. Diante de muita comoção, eles protestaram contra a morte.

A família, os amigos e os vizinhos de Davi Paim dos Santos, de 27 anos, dizem que os policiais militares já chegaram atirando e teriam atingido o homem dentro da casa dele. A situação aconteceu na noite do último sábado (28), na localidade conhecida como Tubarão.

Além de Davi, uma garota de 11 anos também foi baleada na ação. A menina foi socorrida por populares e levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Periperi, mas foi transferida para o Hospital do Subúrbio, onde ficou internada até a manhã desta segunda.

Após o enterro, o protesto seguiu para a Avenida Suburbana, onde o grupo fez uma caminhada.

Em entrevista à TV Bahia, a mãe de Davi Paim, Maria José Paim, disse que durante a ação a Polícia Militar não considerou a presença das crianças, que ficaram desesperadas e correram em pânico durante os tiros.

Foto: Reprodução/TV Bahia

Maria José Paim disse que o filho nunca havia sido preso nem cometeu crimes durante a vida. Segundo ela, Davi tinha acabado de retornar para casa depois de comprar materiais para a festa e ouviu os disparos dentro do imóvel

“Ele comprou dois guaranás, entrou e tomou banho. Falou comigo, passou direto e, quando ouvi, foi a ‘zoada’ dos tiros. Não respeitaram nem as crianças que estavam lá dentro. Ele era usuário, mas não era vagabundo, nunca matou, nunca roubou, nunca foi preso na vida dele”, disse a mulher.

“Uma sensação de medo, uma sensação de revolta, uma sensação de intranquilidade para a comunidade que vive em paz. O que que essa mãe está sentindo agora nesse momento distorcendo a imagem do filho, dizendo que o menino fez e aconteceu, que era isso”, disse uma pessoa que preferiu não revelar a identidade, durante entrevista para a TV Bahia. “Não, gente! Tem que parar com esse abuso de poder”, reclamou.

Em nota, a Polícia Militar não confirma a versão, além de tratar a morte do homem e a criança baleada como casos distintos. Em um deles, a PM informa que, por volta das 20h30, foi acionada por moradores que denunciaram um ponto de vendas de drogas na região.

As equipes que foram ao local teriam sido recebidas por homens armados e houve confronto. Um homem, que seria Davi, foi atingido, levado ao Hospital do Subúrbio, mas não resistiu aos ferimentos.

Ainda de acordo com a polícia, com o homem teriam sido encontrados uma arma de fogo, munições, substâncias que aparentavam ser maconha e crack em grande quantidade. O caso foi registrado na Corregedoria Geral da Polícia Militar.

Já com relação à criança, a PM informou que só foi informada por volta das 20h40.

Mais relatos de testemunhas

Foto: Reprodução / TV Bahia

Ainda em entrevista à TV Bahia, as testemunhas afirmaram que escutaram os disparos e as pessoas que estavam na frente do imóvel correram para dentro da casa. Além de Davi e da criança, ninguém mais foi atingido.

Segundo a vizinhança, dois policiais entraram na residência, colocaram Davi em direção ao banheiro e atiraram contra ele.

Um morador, que presenciou o caso e não quis se identificar, disse que, após os disparos, tentou entrar na casa onde Davi teria sido baleado e foi impedido pelos policiais. Segundo ele, os agentes usaram bomba de gás lacrimogênio para que as pessoas não pudessem acessar à residência.

“Tentamos entrar na casa e os PMs não deixaram. Eles jogaram gás quando a gente tentou entrar. Depois, tiraram o corpo de Davi, jogaram na mala do carro dizendo que iriam dar socorro, mas ele já estava morto. Disseram que Davi tinha trocado tiro com eles, o que não é verdade. E a gente que é pobre e preto fica à mercê dessa situação”, contou o vizinho do homem.

Ele informou ainda que a garota foi levada para o hospital, passou por um procedimento cirúrgico e o estado de saúde é considerado estável.

“Ela estava sentada com os meninos, esperando o aniversário acontecer. Eles [os policiais] já chegaram atirando. Não teve troca de tiro nenhuma. Na hora do desespero, eu peguei ela, o vizinho deu socorro e saímos correndo. Levamos para a UPA e, de lá, ela foi transferida para o Hospital do Subúrbio”, disse uma vizinha, que também não quis ser identificada.

A Polícia Militar não se manifestou a respeito das denúncias sobre o impedimento dos moradores entrarem no imóvel, nem que os agentes teriam usado gás para impedi-las de entrarem na casa.

Leia mais sobre Salvador no iBahia.com e siga o portal no Google Notícias