Tradições

O jeitinho baiano de comemorar o São João: confira algumas particularidades do estado durante a festa

Após dois anos de pandemia da Covid-19, a Bahia volta a realizar o São João em seus 417 municípios com a festa nas ruas

Bianca Andrade
24/06/2022 às 9h41

5 min de leitura
Chegar na casa de alguém que festeja o São João e não encontrar uma garrafa de licor na mesa é uma afronta a quem curte o período junino / Foto: Divulgação

Uma festa pode acontecer de várias formas, mas o jeitinho do baiano de fazer uma festa é o que torna tudo ainda mais especial. Após dois anos de pandemia da Covid-19, não há aquele que não tenha sentido saudade de fazer uma festa do jeito que só quem nasceu por aqui sabe fazer, em especial o São João.

Assim como o Carnaval, maior festa de rua do planeta, o São João tem suas particularidades para quem nasceu no estado, o que deixou a saudade ainda maior durante esses mais de 720 dias.

Pensando nisso, o iBahia reuniu algumas das particularidades dos baianos durante o período junino para deixar claro que é isso o que queremos todos os anos.

A bebida da temporada: o período junino é o momento de dividir o coração dos amantes e apreciadores da boa e velha cachaça. É o verdadeiro “um pau na quente, outra na gelada”, mas nessa ocasião, a cachaça em sua mais pura forma abre espaço para os licores. Chegar na casa de alguém que festeja o São João e não encontrar uma garrafa de licor na mesa é uma afronta a quem curte o período junino. Desde o mais tradicional com o licor de Jenipapo, aos mais elaborados como os licores trufados, o destilado é a bebida da estação. Uma das cidades mais conhecidas pela produção de licor é Cachoeira, com as marcas Roque Pinto e Arraiá do Quiabo.

Foto: Reprodução / TV Bahia

Arrumado para ficar em casa: há quem diga que nordestino tem três momentos para comprar roupa, são eles: Natal, Ano Novo e São João. O costume é facilmente explicado, pelo menos na Bahia, onde o São João é um verdadeiro tapete vermelho de 567.295 km² divididos entre 417 municípios. Além de ser um dos momentos mais esperados pelos baianos, o São João marca também as férias do colégio e ninguém quer chegar no interior com uma roupa da temporada passada, ou usar um look de verão no inverno.

As vezes a arrumação pode nem levar a alguma festinha particular ou aquele forró na praça, mas no São João até para ficar em casa vale se arrumar.

Queijo de cuia na ceia: quitute oficial das festas de final de ano, o queijo de cuia, ou o queijo reino, também é rei no São João. Não há quem não busque o queijinho no mercado em meio aos festejos juninos para servir como quitute em meio aos potes de amendoim e milho.

Guerra de Espadas na Bahia [Foto: Reprodução/TV Bahia]

Guerra de espada: tradição do São João na Bahia, a Guerra de Espadas acontece durante os festejos juninos nas cidades do Recôncavo Baiano, tendo o município de Cruz das Almas como palco principal. A guerra acontece há mais de um século e foi registrada pela primeira vez pelas lentes da fotógrafa Sonia Carmo, em 1979.

O espetáculo consiste no arremesso dos fogos de artifício de um lado para o outro e quem participa costuma brincar sem proteção, o que acaba resultando em um alto número de queimados nos hospitais baianos, que neste período costuma aumentar o atendimento para a especialidade.

A guerra de espadas chegou a ser proibida pelo Ministério Público em 2011, mas nunca deixou de acontecer.

Neste ano, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) pediu a proibição da guerra em Senhor do Bonfim e a Justiça acatou o pedido.

Carnaval com São João: se tiver música, cerveja e muita gente a festa na Bahia já vira Carnaval. E com o passar dos anos, algumas cidades “adotaram” o modelo misto de celebrar os Santos de junho.

Além das festas de camisa que lembram os abadás de fevereiro, e da presença de artistas do pagode e axé nas grades dos eventos, municípios como São Sebastião do Passé, realizam o desfile de trios pela cidade.

Uma das atrações mais esperadas do São João na cidade além dos shows na praça, o desfile deste ano teve entre os destaques os blocos ‘Forró de Mãe’, comandado pela banda Psirico, o bloco ‘Forró Veroska’, com o grupo É o Tchan, o bloco ‘Forró Feijoada’, e outras charangas.

Samba junino: o movimento, nascido em Salvador há quase 50 anos se tornou tradição e ganhou título de patrimônio cultural da cidade, depois do registro pela Fundação Gregório de Mattos (FGM) em 2018.

No samba junino, os reis continuam sendo as estrelas do forró, no entanto, grandes hits do gênero ganham o toque do samba. Com o tempo de existência, o movimento acabou ganhando suas próprias canções.

É possível encontrar a movimentação do samba junino em diversos bairros da capital baiana como Brotas, Federação Vasco da Gama, e no Garcia, que neste ano recebe o Festival da Liga do Samba Junino, nesta sexta (24) na Praça Marquês de Olinda.

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